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Expresso

56 anos e um biquíni dourado

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Cabelo grisalho, olhar provocante, rugas nos contornos da cara, lábios sensuais, barriga ligeiramente flácida, postura que transpira autoconfiança. De biquíni dourado e água do mar a escorrer-lhe pelas curvas do corpo, aos 56 anos a modelo Nicola Griffin faz história ao ser a mulher mais velha de sempre a figurar na ansiada edição anual da Sports Illustrated, dedicada a fatos de banho e biquínis. Mais uma vez a publicação volta a apostar fortemente na inclusão: depois de ter assumido a importância das curvas, explora agora as fronteiras da real importância da idade na beleza.

A única figura com mais de 50 anos a figurar na revista anteriormente fora a boneca Barbie que, convenhamos, passem os anos que passarem continua com a imagem de eterna jovem a mulher a desabrochar. Mas a brincadeira feita há dois anos levou a que se começasse a trilhar um caminho para chegar à aposta desta edição, onde as mulheres com curvas continuam a ser aposta forte (já vos explico em baixo) e a idade deixa finalmente de ser um tabu.

A campanha #SwimSexy foi fotografada nas Caraíbas e embora inicialmente Nicola se sentisse insegura por estar ao lado de duas modelos com quase metade da sua idade, agora assegura que não podia estar mais satisfeita com o resultado. “A beleza não se resume a ter-se 20 anos e 1,80m. As mulheres começam a estar cansadas dessa ideia.”

Enquanto mãe de duas adolescentes, Nicola foi explicando à imprensa quão importante acha que é passar a mensagem da diversidade nas questões da aceitação corporal. “Elas andam nas redes sociais, leem revistas, veem televisão e sentem-se constantemente mal com os seus corpos. Isso é incrivelmente triste. É importante começarmos a seguir numa direção diferente.”

Um trio que vai dar que falar

Lado a lado com Philomena Kwao e Ashley Graham (ambas reconhecidas modelos do universo plus size), Nicola Griffin surge nesta edição de biquínis da Sports Illustrated em formato de publicidade da Swim Suits for All. O mesmo tipo de aposta feita no ano passado com Ashley Graham, a primeira modelo com curvas a alguma vez figurar na publicação. Em 2015, a decisão causou furor e foi aplaudida mundo fora por abrir o espectro no que toca à eterna percepção estereotipada das medidas ideais de uma mulher, mesmo que fosse apenas uma página de publicidade. Posto isso, não é de estranhar que este ano tenham ido mais longe.

Além da contínua aposta nas páginas de publicidade, a Sports Illustrated decidiu ir mais longe e inserir a fabulosa Ashley Graham na sua lista anual de modelos, na categoria de ‘rookie’. Um passo gigante na inclusão das modelos com medidas para lá dos míticos 86-60-86.

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Profissional da indústria plus size com uma carreira invejável, Ashley já fez campanhas para marcas como Levi’s, Calvin Klein e Marina Rinaldi, além de ter sido fotografada para revistas como a Elle UK, a Vogue ou a Harper’s Bazaar. Não só é uma empreendedora por excelência (criou um linha de lingerie, por exemplo), como é também uma ativista ferrenha na luta contra o ‘body shaming’ (espreitem a sua participação nas TED Talks, intitulada “Plus Size? More Like my Size!”) e um símbolo de aceitação para mulheres de todo o mundo. Como é que o consegue? Tendo como eterno lema a seguinte frase: “A autoconfiança é algo muito sexy”. E não são os seus 96-96-116 que tornam isto menos válido.

A sua participação nesta edição da Sports Illustrated, lado a lado com nomes como Sara Sampaio ou Gigi Hadid, volta a comprovar que o seu lema faz todo o sentido.