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Expresso

Um aplauso à Barbie que joga futebol

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“Isto só vem provar que finalmente estamos a chegar a algum lado”. Palavras certeiras da fabulosa Abby Wambach durante o lançamento de uma boneca inspirada naquela que é a mais famosa jogadora de futebol do mundo. E realmente, é mesmo isso que se pode dizer: finalmente estamos a chegar a algum lado no que toca a educar as nossas crianças para a diversidade em vez de continuarmos a inundá-las de estereótipos de beleza que, certamente, acabarão por condicionar a sua percepção e expectativas em relação ao corpo, a longo prazo. Estereótipos esses tantas vezes simplesmente inatingíveis

Os criadores da mítica Barbie parece que já perceberam que, para conseguirem assegurar o futuro da boneca e da marca, o caminho passa por assumirem a liderança no que toca a passar a mensagem da importância da diversidade. Não há mesmo mal nenhum em ser-se uma mulher loira platinada, branca, alta, com cinturinha de vespa, peito avantajado e lábios sensuais, ou seja, a eterna imagem de marca da Barbie. Uma boneca que, quer queiramos, quer não, representou os ideais de beleza aos olhos de meninas de todo o mundo ao longo de 50 anos, bem em jeito de sonho americano. Mas finalmente percebeu-se que também não há mal nenhum em ser-se uma mulher ora com coxas grandes, ora com rabo avantajado, ou com pouco peito, pernas curtas, tez escura, olhos em bico, cabelo curto ou carapinha. Tal como não há mal nenhum em ser-se uma mulher que joga futebol.

Na semana passada, os criadores da Barbie fizeram capa da Time graças aos três novos modelos que lançaram da boneca: curvy, petite e tall. Ou seja, a boneca original mantém-se, mas agora também pode ser encontrada em diferentes tamanhos, desde a cintura e busto à altura, tal como com diferentes tons de pele, cores de olhos e tipos de cabelo. Basicamente, um reflexo daquilo que é a nossa sociedade, com mulheres bem diferentes uma das outras. A jogada foi de mestre e a boneca voltou a estar nas bocas do mundo, deste vez sob aplausos em vez de supostas preocupações dos pais quanto aos conceitos de beleza passados pelo brinquedo.

As futebolistas também brincam com bonecas

Ontem foi a vez de Barbie dar mais um passo no caminho da mensagem sobre a diversidade, ao lançar uma boneca inspirada em Abby Wambach durante a conferência THE MAKERS. Nessa apresentação, a futebolista revelou que “embora possam não acreditar”, em miúda era uma grande fã da boneca. Hoje, atleta de renome, com duas medalhas olímpicas e uma carreira invejável no mundo do futebol, vê esta homenagem como um passo em frente quanto ao que se espera da imagem e papel feminino na sociedade. Algo que Abby sabe de cor e salteado, uma vez que passou boa parte da sua vida adulta a quebrar ideias pré-concebidas enquanto mulher.

Na mesma conferência, a atleta recém reformada do desporto aproveitou também para salientar que a sua carreira daqui para frente vai ser dedicada às questões da igualdade, principalmente no que toca à discriminação de género em contexto laboral. Um exemplo é o universo do futebol, onde enquanto campeã mundial da modalidade - três vezes consecutivas - recebia apenas 6% daquilo que um homem recebe a este nível de competição.

"É também surpreendente que ao nível administrativo em muitos, muitos rankings ‘Forbes 500’ sobre as empresas, haja tão poucas mulheres, tal como poucas pessoas de diferentes orientações, cores diferentes ou diferentes etnias. Nesta fase eu quero confrontar esta realidade", disse ontem a futebolista norte-americana. "O que me deixa mais louca é isto: custa zero dólares tratar alguém de forma igual."

Seja aqui ou nos Estados Unidos, os números são públicos mas ainda há quem garanta que esta realidade é uma falácia. Haja paciência. No que toca à Barbie, agora só falta perceber se as vendas vão refletir a consciência dos progenitores.