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Expresso

Trudeau, o primeiro-ministro que não tem medo do feminismo

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Sei que ontem já por aqui falei sobre o Fórum Económico Mundial, com a campanha HeForShe, mas hoje não resisto a partilhar mais uma das participações que marcaram o evento em Davos. Ontem era Emma Watson a protagonista, hoje é o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau.

Quando foi eleito, Trudeau deixou muita gente de boca aberta ao decidir ter um gabinete onde a paridade é regra, sendo composto por homens e mulheres em igual medida. Pouco comum, é certo, mas quando questionado sobre as razões que o levaram a fazer tal escolha a sua resposta foi totalmente desarmante: “Porque estamos em 2015”. Tão simples quanto isso. Agora, durante a sua participação em Davos, voltou a tocar no tema da igualdade de género e disse uma frase que marcou novamente a sessão: "Não devemos ter medo de usar a palavra feminista. Aliás, homens e mulheres deveriam usá-la para descrever-se sempre que podem.”

Já por aqui tinha deixado claro que quando se escolhe um ministro, em primeiro lugar devem vir as suas competências e não o género. Mas com esta atitude, Trudeau vem demonstrar que embora a larga maioria dos cargos de poder continuem a ser dominados por homens, o que não faltam são mulheres com iguais ou melhores capacidades. E que estas não devem ser, à partida, postas de lado por serem mulheres. Quer gostemos de assumi-lo, quer não, quando se trata de escolher um homem para um cargo de chefia ninguém põe em causa o seu género. Já ao contrário, a conversa é demasiadas vezes outra.

"Estudos após estudos têm demonstrado que, se perguntarmos a um homem se ele quer concorrer a um cargo mais alto a sua primeira pergunta é provavelmente algo do género: ‘Vou ter de usar gravata todos os dias?’. Já se perguntarmos a uma mulher o mesmo, sua primeira pergunta é geralmente: ‘Porquê eu?’ Devíamos começar a recompensar os políticos e as empresas que não são movidos por uma abordagem machista", disse Trudeau.

Além da importância da presença feminina na vida política, económica e empresarial, o primeiro-ministro canadiano frisou também em Davos quão importante é educar as crianças de hoje para paridade, principalmente os meninos. E, sem vergonhas, assumiu como tem sido a sua própria mulher quem o ajuda a despertar a consciência para tal mudança de atitude enquanto pai.

Outra das vozes mais poderosas desse painel foi Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook. Numa frase resumiu aquilo que ainda parece fazer pouco sentido na cabeça de tanta gente: “Não devíamos estar a trabalhar em prol da igualdade apenas porque é a coisa certa a fazer, mas sim porque é a atitude mais inteligente a ter”.

Vale a pena espreitar a intervenção de ambos: