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Expresso

A importância da paridade nas empresas privadas

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“Costumamos achar que isto da desigualdade é coisa do passado, que estamos bem onde estamos. Mas quando começamos a olhar para lá do que está à superfície, percebemos que ainda há um longo caminho a percorrer”, palavras de Emma Watson, que mais uma vez voltou a dar a cara pela luta contra a discriminação de género durante o Fórum Económico Mundial, em Davos. Praticamente um ano depois de ter lançado publicamente a campanha HeForShe, a ativista voltou a reforçar a mensagem sobre a importância de envolver a sociedade, como um todo, nas questões da paridade.

Pela mão de Emma Watson, foi também revelado na semana passado o programa IMPACT 10x10x10, que envolve 10 grandes empresas líderes nos seus sectores. AccorHotels, Barclays, Twitter, McKinsey & Company, Schneider Electric, Vodafone, PwC. Tupperware Btands, Twitter e Unilever abriram o jogo em relação à sua atual realidade no que toca a paridade e comprometerem-se a delinear estratégias concretas nos próximos 10 anos para inverterem a tendência de desigualdade de género dentro dos seus quadros.

Nesse mesmo relatório (que podem ler aqui), os números mundiais são deixados claros: as mulheres representam 40% da força laboral do planeta (por cá somos 60%), mas não passam de 27% no que toca a cargos séniores de liderança (por cá as mulheres não chegam aos 10% nos conselhos de administração do sector privado, por exemplo). Posto isto, as tais dez empresas que embarcaram nesta campanha enquanto embaixadores a longo prazo da realidade do seus sectores vão ter largos desafios pela frente: desde a igualdade de oportunidades, às posições de liderança e até mesmo à disparidade de salários entre homens e mulheres, o caminho deverá ser longo. Com o compromisso claro de ser monitorizado pela equipa da campanha HeForShe, com resultados anuais.

O que Ban Ki-Moon tem a dizer sobre isto

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, foi o primeiro homem a inscrever-se no novo site desta campanha global (espreitem o site, vale mesmo a pena!) e frisa a sua mensagem num texto introdutório do relatório: “O sector privado tem um papel fundamental a desempenhar enquanto acelerador de mudança social. Estudos mostram que a igualdade é viável no local de trabalho e, acima de tudo, benéfica. Ao promoverem oportunidades iguais a homens e mulheres, proporcionando licença parentais justas e recusando-se a aceitar preconceitos e situações de discriminação, as empresas podem quebrar barreiras e trilhar o caminho para um novo futuro.”

Mas para tal é preciso que todos, homens e mulheres, tenham consciência disto. E foi precisamente por isso que o movimento HeForShe nasceu, para envolver todos os cidadãos nesta questão concreta da discriminação de género. O objetivo? Que até 2030 a igualdade de género seja uma realidade vivida de forma plena por muitos de nós.

Para quem ainda não percebeu quão importante isto é para o futuro de todos, deixo este vídeo de uma entrevista feita a Emma Watson sobre a sua participação em Davos. “Há uma percepção de que o feminismo e os assuntos relacionados com as mulheres só devem ser discutidos por mulheres. Como se fossem coisas separadas. Mas as mulheres são seres humanos e aquilo que está em jogo são direitos humanos. Precisamos que toda a gente faça parte desta conversa.”