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Expresso

Somos mulheres, não somos objetos

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Que estratégia podemos usar para publicitar um novo hambúrguer junto ao consumidor final? Na cabeça de algumas pessoas a resposta é simples: fazemos uma imagem onde pomos uma mulher a fingir que está a fazer sexo oral à sandes. Idiota? Despropositado? No mínimo. Mas esta é a realidade de muitas das campanhas do mundo publicitário, seja para vender hambúrgueres, iogurtes, calças de ganga ou até mesmo camiões.

A objetificação da mulher para vender serviços ou produtos é um cliché daqueles que se arrastam ao longo das últimas décadas (a imagem em baixo é só um exemplo antigo). Tão cliché, que muitas vezes já nem nos debruçamos a refletir sobre quão grave e desrespeitoso isto é – continua a ser - para o género feminino. Mas também para o masculino, que vê as suas esposas, namoradas, filhas, netas, amigas e demais mulheres que fazem parte das suas vidas expostas como objetos em praça pública.

Para agitar consciências em relação à forma como as mulheres continuam a ser hiperssexualizadas e retratadas regularmente em função de estereótipos, nasceu a campanha ‘We are #WomenNotObjects’. Na sua base está um vídeo que tem corrido as redes sociais nos últimos dias e que não para de ser partilhado. Tudo começa com uma busca no Google por “women objectification” (façam-no também se quiserem tirar teimas e vão ver que fotos aparecem). Surge então um rol de imagens carregadas de correlações altamente ofensivas para as mulheres, muitas vezes usadas por grandes marcas internacionais em campanhas que correm o mundo. Desde páginas de revista, a mupis e spots publicitários na televisão, os exemplos são mais que muitos.

Num tom altamente sarcástico, o vídeo mostra então algumas mulheres a segurarem precisamente nessas imagens e a revelarem o que elas querem transmitir. Eis alguns exemplos: “Adoro fazer sexo oral a sanduiches”; “A chave para o meu coração? Um homem que cheira como uma vagina”; “Adoro sacrificar a minha dignidade por uma bebida!”. Podemos até rir disto – eu ri – mas depois é preciso também parar para pensar. Por mais que seja um cliché, a objetificação da mulher é tudo menos correta. E as empresas que continuam a usá-la para vender os seus produtos deveriam ser relembradas sobre as questões da responsabilidade social inerentes ao seu estatuto.

Quanto às agências e aos criativos que continuam a optar pelo caminho mais fácil e básico, sinceramente, não conseguem fazer melhor?

Espreitem o vídeo, vale mesmo muito a pena.