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Expresso

A prateleira de Emma Watson vai dar que falar

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FOTO © ANDREW KELLY / REUTERS

Inscrevi-me há uns dias num clube de leitura dedicado à igualdade de género e o que encontrei tem-me deixado de certa forma deliciada. Homens e mulheres, miúdos e miúdas, um pouco por todo o mundo aproveitam o espaço para, através do universo da leitura, partilhar de forma bem honesta e descomplexada as suas dúvidas e ideias em relação a este tópico. E desta partilha têm saído discussões bem interessantes que vale a pena espreitar. A mentora do clube? Emma Watson.

De menina aprendiz de feiticeira a ativista fervorosa com participação nas Nações Unidas, a atriz é atualmente um dos rostos mais mediáticos – e ativos - na luta pelo fim da discriminação das mulheres. Aproveitando o seu mediatismo, lançou entre os fãs o repto de juntar todas as pessoas interessadas no tema num clube online, cujo ponto de partida é a discussão de livros com caráter feminista. Todos os meses se discute um título, sendo que o primeiro é o “My Life on the Road”, da maravilhosa Gloria Steinem. Depois Emma lança tópicos de discussão e compromete-se a trazer autores para os debates online com os leitores.

Obrigada ao médico que fez um aborto ilegal

Um dos temas que tem feito furor é a dedicatória do livro deste mês, onde Gloria Steinem agradece ao médico inglês que lhe fez um aborto ilegal em 1957. As palavras que el lhe disse na altura ficaram-lhe para sempre na memória: “Tens de me prometer duas coisas. Primeiro, não vais contar a ninguém o meu nome. Segundo, vais fazer o que quiseres com a tua vida”. Em resposta, a autora escreve hoje nas primeira páginas do livro: “Querido Dr. Sharpe, acredito que o senhor, que já na altura percebia que esta era uma lei injusta, não se vai importar que escreva isto tanto tempo depois da sua morte. Fiz o melhor que consegui da minha vida. Este livro é para si.”

Para lá da leitura e da obra, o aborto tornou-se um dos tópicos de discussão deste fórum. Uma discussão livre, aberta e construtiva, que certamente ajudará a trilhar o caminho para o futuro na compreensão de direitos tão básicos como deveria ser o da interrupção voluntária de gravidez. Não há nada como a educação e o diálogo para se conseguir mudar as maleitas do mundo. E a discriminação de género é certamente uma delas.

Entre as perguntas atualmente ativas estão dúvidas como: “O que é os homens deste clube pensam sobre o feminismo?”, “Devem os homens fazer parte de um movimento feminista?”, “Por que é que te tornaste feminista?”, “De que formas o feminismo pode ser mais eficaz?”. O nome escolhido por Emma Watson para este grupo foi “Our Shared Shelf” (em português, “A Nossa Prateleira Partilhada”) e a partilha está mesmo aberta a toda a gente. Mesmo que não sejam fãs de leitura, recomendo uma passagem por lá. Tenho a certeza de que ideias interessantes irão surgir deste grupo e, espero eu, não hão de ficar guardadas na prateleira.