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Carrie Fisher está velha para a entrar na Guerra das Estrelas?

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Carrie Fisher

FOTO © KEVORK DJANSEZIAN / REUTERS

Quem me conhece sabe que não sou fã de A Guerra das Estrelas. Para terem uma noção do meu conhecimento sobre esta saga, sempre achei que aquela personagem das orelhas pontiagudas – Dr. Spock, salvo erro – fazia parte da história. Posto isto, nunca imaginei que pudesse aqui escrever sobre estes filmes míticos. Mas nos últimos dias, houve algo que me chamou à atenção sobre este último filme: ao que parece, a atriz Carrie Fisher está demasiado velha e pouco sexy para ter a honra de poder figurar na saga. Pelo menos é o que inúmeros fãs da Guerra das Estrelas – e críticos de cinema - acham e não se cansam de escrever publicamente.

Ora bem, Carrie Fisher tinha 19 anos quando surgiu pela primeira vez na pele da Princesa Leia. Hoje tem 59, sendo que desde os anos 80 que não aparecia neste papel. Não é preciso ser muito inteligente para fazer a conta: sim, passaram 40 anos desde o primeiro filme e mais de 30 desde o último. Alguém estaria à espera de que a atriz continuasse igual fisicamente? Basta espreitar o trailer para perceber que Harrison Ford também já foi mais novo, mas é curioso que ninguém se lembra de dizer que está demasiado velho ou pouco sexy para representar.

Carrie Fisher

Carrie Fisher

FOTO © PAUL HACKETT/ REUTERS

Em ambos os casos não deveria ser a idade a ditar tal sentença, mas sim o seu profissionalismo e capacidade artística. Contudo, essa é uma das muitas eternas discrepâncias de género do maravilhoso mundo do cinema de massas. Mais uma vez, um exemplo da pressão da idade vivida em Hollywood por inúmeras mulheres, mesmo que sejam atrizes de renome. Simplesmente porque são mulheres. E das mulheres parece que é esperada a juventude eterna para poderem continuar a aparecer no grande ecrã.

“The Last F**kable Day” de Carrie Fisher?

“Por favor, parem de debater se envelheci bem, Infelizmente isso magoa-me. O meu corpo não envelheceu tão bem quanto eu”, escreveu a atriz em resposta na sua página de Twitter. “Juventude e beleza não são feitos, são os subprodutos felizes e temporários do tempo e/ou ADN”. Já antes de o filme sair, Carrie Fisher tinha revelado que fora pressionada a perder peso para poder participar na saga. Seja princesa ou general, é esperado que apareça magrinha e ‘recauchutada’, como manda a tradição da imagem vendida por Hollywood. Se não o fizer, é simples: é substituível por outra mulher que até pode representar pior, mas que tem 10 quilos e umas quantas rugas a menos.

Talvez achem que estou a exagerar, mas ainda me lembro, por exemplo, de quando a atriz Maggie Gyllenhaal revelou que aos 37 anos lhe disseram que já era demasiado velha para interpretar a amante de um homem de 55. “Foi surpreendente. Fez-me sentir mal, deixou-me zangada, e no fim só me dava para rir. Ser atriz de Hollywood consegue ser muito decepcionante”, disse ela na altura. Ainda há pouco tempo Emma Thompson também disse publicamente que “Hollywood continua a mesma porcaria de sempre” e criticou o estado atual desta indústria, onde a prevalência de sexismo consegue ser mais prevalente agora do que há 30 anos, quando começou a sua carreira. É público que apenas 15% dos papéis principais são pensados para elas. Curioso, não?

Sobre a questão da idade, há um sketch absolutamente delicioso da humorista Amy Schumer que não resisto a partilhar convosco. Chama-se “The Last F**kable Day” e conta com a participação de Patricia Arquette, Tina Fey e Julia Louis-Dreyfus no papel das atrizes que já passaram da idade possível para serem consideradas “aceitáveis” (digamos assim) pela indústria de Hollywood. Imperdível e carregado de ironia.