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Expresso

48 comentários sexistas que os homens ouvem diariamente

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Primeiro as mulheres: “Deves estar naqueles dias do mês. Não sejas mandona. Isso não é para meninas. Não sejas tão cabra. O que é que levavas vestido nessa noite? Não sejas tão dramática. Se fizesses um esforço podias ficar tão gira. Nunca fizeste as sobrancelhas? Bebes muito para uma mulher. Tu gostas de futebol, tu? Não parece nada que tiveste um bebé. Vais mesmo trabalhar logo depois de o bebé nascer? O teu marido não fica chateado por ganhares mais do que ele? O teu marido cozinha? Uau, ele ajuda-te. Essa roupa não é um bocadinho jovem demais para ti? Quando cresceres o teu pai vai ter de enxotar os rapazes à tua volta.”

Há umas semanas o site Huffington Post pôs a circular um vídeo que correu intensivamente nas redes sociais intitulado “48 coisa que as mulheres ouvem ao longo da vida (que os homens simplesmente não têm de ouvir)”. Em dois minutos condensou aquilo a que chama de “subtilezas do sexismo”, vividas diariamente pelo sexo feminino dos 0 aos 80 anos. Aplaudido por mulheres que, acredito, tal como eu não conseguiram deixar de sorrir ao reverem-se totalmente em muitos dos tais comentários sexistas, o vídeo acabou por ser em muito criticado por homens que diziam – e com razão – que também eles ouvem ao longo da sua vida comentários muito inoportunos só por serem homens.

Ao ver as reações do homens lembrei-me automaticamente de comentários como “os homens não choram” ou “não sejas maricas”, frases que se tornaram tão comuns que na larga maioria das vezes quem os diz não tem sequer noção do quão sexista está a ser. É certo que a discriminação de género é inegavelmente mais recorrente no que toca às mulheres, mas não podemos achar que no mundo os homens também não são vítimas de diferenciação de tratamento apenas porque nasceram homens. Aliás, é perigoso que o desvalorizemos e que continuemos a educar as novas gerações sem refletir sobre os efeitos disto a longa prazo.

Tendemos a falar de situações extremas quando abordamos este tema, mas esquecemo-nos que o sexismo está no meio de nós no nosso dia-a-dia. Se nós mulheres crescemos e vivemos a ouvir frases como as que citei do tal vídeo no início deste texto, os homens também passam pelo mesmo. Embora raramente os valorizemos, são esse pequenos sexismos que ajudam em muito a perpetuar discriminações baseadas no género, que não só começam desde tenra idade, como são alimentadas dentro do próprio seio familiar. E acreditem: todos nós as ouvimos, mas também todos nós as fazemos.

Em resposta aos muitos homens que se queixaram por não terem também um artigo onde os seus casos fossem citados, o Huffington Post acaba de lançar um segundo vídeo desta vez intitulado “48 coisa que as homens ouvem ao longo da vida (que são más para toda a gente)”. Eis algumas das expressões citadas: Os meninos não brincam com bonecas. Os rapazes não vestem cor de rosa. Deixaste que uma rapariga te batesse? Não gostas de futebol?! Meu, ainda és virgem?! Bates como um rapariga. És tão sensível para um homem. Vais deixar que ela fale assim contigo? És enfermeiro? Pensei que eras médico. Que carro tão grande. Estás a tentar compensar alguma coisa? És tu que cozinhas? Faz-te homem.

Ninguém põe de todo em causa que as discriminação e comportamentos sexistas são válidos para os dois lados. Mas é muito curioso perceber que mesmo dentro dos comportamentos discriminatórios, no que toca aos homens serem comparados a uma mulher é usado como ofensa. Como se os comportamentos tidos como típicos do sexo feminino fossem de certa forma algo com menos valor, totalmente depreciativos. Mais uma vez, como se ser mulher estivesse num patamar abaixo da supremacia esperada do sexo masculino. Pormenor giro para refletir, quem sabe, entre umas rabanadas nos próximos dias. Cozinhadas a dois, sem medo do que os outros vão achar.