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Expresso

A resposta de Malala a Donald Trump

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FOTO © PHIL NOBLE / REUTERS

Malala Yousafzai pode ter apenas 18 anos mas a sua capacidade de resposta e análise continua ser mais certeira e assertiva do que a de muitos homens e mulheres que não conseguem responder à letra a quem usa a sua exposição pública para espalhar mensagens de ódio. Donald Trump é um belo exemplo dessa estirpe. Ontem, a prémio Nobel da Paz falou com a imprensa durante uma cerimónia de homenagem aos mais de 150 crianças que morreram há um ano durante um ataque talibã numa escola paquistanesa e não poupou o candidato republicano: “Se a sua intenção é parar o terrorismo, não culpabilize a totalidade da população muçulmana, não é isso que vai parar os terroristas.”

Num discurso onde também reiterou o seu pedido de maior esforço da comunidade internacional para que o acesso a educação de qualidade possa ser uma realidade mundial, Malala deixou claro que comentários de ódio como o que Trump fez recentemente - a defender a proibição da entrada de qualquer muçulmano nos Estados Unidos - pode levar a que “se radicalizem mais terroristas”. E alertou os media para os perigos de se dar tempo de antena a tais discursos.

Trump deixou de ter piada

“É realmente trágico termos de ouvir comentários deste género, que estão cheios de ódio, repletos de ideologias discriminatórias”, criticou a jovem paquistanesa, a quem mais uma vez só me ocorre fazer um profunda vénia. É certo que Donald Trump, com toda aquela bizarria que o torna atualmente numa anedota não só política, mas também humana, é um verdadeiro alimento para as audiências dos media. Mas é também importante percebermos que comentários puramente xenófobos como os que fez na sequência do ataque na California, podem falsamente espelhar a vontade de toda uma nação aos olhos das pessoas discriminadas por tamanhas aberrações.

Já há uns dias dizia Hillary Clinton: “Durante semanas toda a gente soltou gargalhadas histéricas graças a ele, mas já não consigo achar-lhe piada. O que ele tem dito deixou de ser apenas errado e vergonhoso, é perigoso”. Quer queiramos, quer não, Trump pretende tornar-se Presidente de uma das maiores potências mundiais e, embora tenha vindo a perder notoriedade, é seguido por muitos mentecaptos que ainda o aplaudem de pé. Mesmo que seja assumidamente xenófobo, misógino e mal formado (só para começar...).

Posto isto, o bom senso não pode ser esperado apenas de um dos lados da moeda e alimentarmos a mediatização desta criatura e dos seus absurdos ideais fascistas é participarmos na generalização de uma perigosa mensagem errónea. E esta fase de provação que vivemos atualmente não é definitivamente uma boa altura para protelar dúvidas que não fazem sequer sentido existir.