Siga-nos

Perfil

Expresso

Eis o gadget que previne ataques sexuais

  • 333

É discreto e elegante, tem o tamanho de um pequeno medalhão, pode ser usado ao pescoço como colar e foi apelidado com nome de mulher, Athena. Podia ser mais uma das últimas tendências de acessórios de moda, mas o seu intuito é bem diferente: proteger as mulheres de ataques sexuais.

Dito assim até pode parecer estranho, mas o conceito é simples: seja ao pescoço ou no bolso, uma mulher pode levar consigo o gadget Athena para acionar sempre que se sentir em perigo. Ao pressioná-lo durante três segundos, este pode não só emitir um som tipo alarme e encher-se de luzes fortes para repelir o atacante, como pode também enviar mensagens privadas a algumas pessoas pré-definidas como alerta de que alguma situação de perigo está a acontecer. Com a ajuda de uma app, as pessoas que são alertadas recebem também as coordenadas de GPS para saber onde tudo está a acontecer. Avisar de imediato as autoridades – em vez de passar à justiça popular – é o procedimento seguinte.

A ideia parece simples e eficaz. Mas será que há realmente necessidade de utilizarmos gadgets destes no nosso dia a dia, quando vivemos em sociedades como a europeia, a canadiana ou a norte-americana? As pessoas que demonstraram vontade de ajudar a financiar o Athena foram mais que muitas e demonstram que sim. Para terem uma noção, a equipa da ROAR for Good lançou uma campanha de crowdfunding com o objetivo de alcançar 40 mil dólares. Esse valor foi alcançado em menos de 48h e neste momento, pouco mais de duas semanas depois, já arrecadaram cerca de 150 mil. E a campanha ainda nem terminou.

O vídeo promocional que divulgaram no YouTube já foi visto mais de 650 mil vezes e os comentários deixados dividem-se: há quem ache que este gadget deveria alargar-se a outras situações de perigo e que o seu enfoque não deveriam ser exclusivamente as mulheres; quem considere que esta é apenas mais uma organização supostamente sem fins lucrativos que “anda a brincar com os medos da humanidade” para fazer dinheiro; e ainda muitos outros que acreditam que esta ideia pode realmente vir a ajudar inúmeras mulheres de países socialmente desenvolvidos onde os números de ataques e assédio sexual continuam a ser um problema real, que deve ser tido em conta.

As encomendas poderão ser feitas a partir de maio de 2016: se quiser oferecer um Athena a alguém ou comprar um para si mesma, o preço de pré-reserva ronda os €70. Contudo, também é possível fazer a doação de um dispositivo (por cerca de €50) à organização Women Against Abuse, que depois distribuirá o Athena a mulheres que recorram aos seus serviços. Uma coisa é certa: em menos de três semanas a equipa já recebeu mais de 1500 pedidos de pré-reserva, vindos de 33 países. Números que dão mesmo muito que pensar.

Se não percebem porquê, então partilho convosco alguns dados que podem servir de exemplo tornar isto mais claro: ainda na semana passada, escrevia o Público que, segundo dados da Polícia Judiciária, em 2014 foram participados em Portugal 374 crimes sexuais. No total, 98% dos violadores eram homens e 92% das vítimas eram mulheres. No caso dos Estados Unidos, o último grande relatório nacional sobre violência sexual revelava que 188 mil americanos tinham sido vítimas de violação no ano anterior. Um número que representa apenas os casos que são reportados, mas há tantos outros que nunca deixam de ser um segredo da vítima. Que muitas – inúmeras – vezes é atacada por um familiar ou até mesmo pelo parceiro. Para nenhum destes casos a panaceia é uma Athena. Mas que pode ajudar, lá disso não tenho dúvidas.