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Expresso

A Casa do Povo de Ermesinde tem as idosas mais sexy de 2016

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“O calendário mais sexy para 2016”. Este album da Casa do Povo de Ermesinde, com 13 fotografias bem originais, tem corrido o Facebook desde quarta-feira e não pára de ser massivamente partilhado por gente de todas as idades, de Ermesinde ou não. Amado por uns, odiado por outros, e ainda gozado por outros tantos, está a fazer furor nas redes sociais, contra todas as expectativas daquela pequena associação. Porquê: as modelos escolhidas para o calendário foram, nada mais, nada menos, do que as idosas da Casa do Povo.

Com idades entre os 62 e os 93 anos, estas deliciosas senhoras foram convidadas a interpretar as suas maiores fantasias. De coelhinhas da Páscoa, a capuchinhos vermelhos, passando ainda pelo cenário burlesco dos cabarets ou até mesmo o universo bondage do livro “As Cinquenta Sombras de Grey”, não houve limites. E o resultado, por mais que muita gente possa discordar, é simplesmente delicioso.

Claro que não podemos olhar para este calendário com os mesmo olhos com que olhamos para uma mega produção tipo Calendário Pirelli. Foi feito por voluntários da Casa do Povo de Ermesinde que se dispuseram a dar vida às fantasias e sonhos mais íntimos destas séniores. Não tem uma grande produção por trás, nem muito menos estúdio ou jogos de luzes, ou sequer Photoshop. Mas isso não o torna menos digno. Foi feito com carinho, com todo o amadorismo a que tem direito e com um grande intuito: dar asas a estas senhoras para se divertirem. E isso, a meu ver, é mesmo de louvar num país que tantas vezes esquece as necessidades da terceira idade.

Sim, os séniores também têm fantasias

Hoje liguei para a Casa do Povo de Ermesinde para tentar perceber como tinha surgido a ideia. Explicaram-me que têm um grupo de séniores deveras divertidas, que acharam piada à ideia de fazer um calendário para recolher fundos na sua habitual gala anual. Grande parte destas senhoras escolheu como gostava de ser fotografada, enquanto outras aceitaram sugestões. Todas elas - garantiram-me neste telefonema - se divertiram no processo e estão orgulhosas do resultado final. Nenhuma sente vergonha. Mas por que raio haveriam de sentir?

O calendário começou por ser um sucesso na gala anual da Casa do Povo e os 200 exemplares foram, para surpresa de todos, vendidos num ápice. Mas ainda mais surpreendente foi a reação online ao álbum partilhado no Facebook: 2500 partilhas e mais de 500 likes. Tenho lido alguns comentários bem deselegantes sobre isto, pessoas que acham ridículo, outras que acham de mau gosto. A mim, o que me parece de muito mau gosto é que não se consiga ver para lá da produção amadora deste calendário e que se esqueça que por trás está uma iniciativa que permitiu a estas senhoras serem o que bem lhes apetecesse durante umas horas.

A verdade é que a capacidade de fantasiar dos séniores é ainda um tabu, como se o seu lugar fosse estarem sentados do sofá a ver televisão ou simplesmente a cuidar de netos. Sim, os séniores também têm fantasias. Sim, gostam de dançar, de namorar, de se divertirem, de darem asas à imaginação, de dar umas belas gargalhadas. Sim, também têm vida sexual ativa (ui, outro tabu dos grandes... fica para outro texto). E sim, mais do que tudo, não têm razões para sentirem vergonha de nenhuma destas coisas. Aliás, a idade dá-lhes toda a legitimidade para extravasarem o que bem lhe apetecer, têm o conhecimento de toda uma vida na bagagem. Quem somos nós para os espartilhar nas suas vontades?

Numa altura em que tanta gente espalha a sua vida privada nas redes sociais e se expõe ao ridículo na web por dá cá aquela palha, parece-me muito mesquinho que se critique esta iniciativa. Eu cá dou os parabéns a todas as senhoras da Casa do Povo de Ermesinde que, à sua maneira, são umas divas. E espero que a venda dos calendários (€3 cada, podem encomendar aqui) consiga mesmo alcançar o valor necessário para comprarem o tal projetor que pode ajudar à atividades lúdicas deste grupo.

E já agora, lanço o desafio: não há por aí profissionais de fotografia e de design gráfico dispostos a fazer uma segunda versão deste calendário?