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Expresso

Fiz trinta anos: e agora? Eis respostas vindas de todo o mundo

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FOTO Stephane Domingues

O fim de uma década tem quase sempre significado na vida de uma mulher. Por cá, tendencialmente aos vinte dizem-nos “agora és oficialmente uma mulherzinha”. Aos trinta não escapamos das típicas observações como “está na hora de começares a pensar ter filhos”. Aos 40 prometem-nos que “agora é que a vida começa a sério, nada como a ternura dos 40” (o que ninguém se lembra de dizer é que, nos tempos que correm, a partir dessa idade já começamos a ser velhos para o mercado de trabalho caso se caia no infortúnio do desemprego, mas adiante...). Seja como for, há frases feitas para cada passagem de década. Mas será assim noutras zonas do mundo?

Claro que não, e essa era à partida a única certeza da fotógrafa francesa Stephane Domingues quando chegou ao grande 3+0. A entrada na nova idade teve impacto, fê-la repensar a vida e ter vontade de embarcar num novo projeto: fazer um documento fotográfico à escala global, onde contasse como é chegar aos 30 em diferentes partes do mundo. “Being 30” é o nome deste projeto delicioso, que tem a capacidade nos pôr a nós próprios a repensar as nossas escolhas, ansias e sonhos.

Desde uma agricultora birmanesa, a uma modelo francesa ou até mesmo a uma mulher de uma tribo da Tanzânia, Stephane conta as histórias de todas estas pessoas tão diferentes a partir de uma série igual de perguntas que vão revelando o passado, o presente e ainda aquilo que cada uma delas pretende do futuro. Embora de realidade distintas, é curioso como algumas das vontades se cruzam naquilo que parece ser o mais essencial à vida, mas noutras as respostas não podiam ser mais díspares.

30 países, 30 realidades

Ao todo são trinta países distintos espalhados pelo globo, com vidas contadas na primeira pessoa, a partir de sítios como Vietname, Nova Zelândia, Brasil, Chile, Estados Unidos, França, Tailândia, Malawi ou Japão. Deixo-vos em baixo três exemplos distintos deste projeto, mas reforço que vale mesmo muito a pena espreitarem o site de Stephane e perderem-se com tempo nas visões que cada uma destas pessoas tem da vida e do mundo. Dá mesmo muito que pensar.

FOTO Stephane Domingues

WinSwe tem 35 anos e vive na Birmânia. Nasceu e cresceu na mesma vila e é lá que se a vê a viver até ao fim dos seus dias. A vida que tem hoje é em muito igual à que tinha aos 20: na altura já era casada (o seu casamento, aos 17 anos, foi o momento mais feliz da sua vida), tinha dois filhos e trabalhava no campo, uma vez que nunca teve oportunidade de estudar. Daqui a dez anos acredita que terá uma vida igual à que tem agora e isso não a assusta, nem muito menos a aborrece. Mudar foi algo que nunca lhe passou pela cabeça, nem sequer quando fez trinta anos. A agricultura traz-lhe dinheiro para subsistir e manter a família com teto e comida na mesa. Quando adoece, os monges locais ajudam e tudo se resolve. Contudo, mantém um sonho: um dia poder fazer uma viagem ao estrangeiro.

Stephane Domingues

Paola Bravo tem 36 anos e vive no Peru. Nasceu numa aldeia do interior do país e quando chegou à idade adulta conseguiu concluir o seu sonho: rumar aos Estados Unidos para uma vida melhor, como aquelas que via nos filmes de Hollywood. Queria casar, ter vários filhos e viver numa casa grande. Nem tudo correu como nos filmes e acabou por ter de regressar ao seu país. “No fundo, aqueles que amamos são o que mais importa na vida”. Foi em Lima que fez trinta anos e aquilo que imaginava para a sua vida não é o mesmo que sonha agora. Está solteira, trabalha como gestora de um hostel e no futuro imagina-se a abrir o seu próprio negócio de hotelaria. Quanto aos trinta, trouxeram-lhe “aceitação do corpo” e “maior maturidade” emocional. “Não estou velha, nada disso. Mas já não sou a ingénua que era antes”. Dedicada 100% à carreira, quer juntar dinheiro para não ter de passar pelas necessidades que a família passou. Casamento e filhos não fazem parte da equação a curto prazo, mas não as descarta.

Stephane Domingues

Monique Farciolli nasceu e cresceu na Cidade do Cabo, tem 31 anos, casou aos 25,e dedicou grande parte da sua vida ao amor pelo desporto. Aos vinte imaginava que chegaria aos trinta a trabalhar como professora de educação física, casada e com, pelo menos, dois filhos. Mas a sede de conhecer o mundo levou a melhor. Sim, casou-se, mas mudou de carreira e divide a vida entre a biomecânica e viagens constantes pelo mundo. A questão dos filhos foi sendo adiada em prol destas duas prioridades, mas com os trinta o relógio biológico falou mais alto e é o seu plano a curto prazo. No futuro quer, no entanto, ter uma vida mais calma e o seu grande sonho é abrir uma padaria artesanal. Sair do seu país não faz parte dos planos.