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Expresso

Estas mulheres vão combater frente ao Estado Islâmico

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AHMAD AL-RUBAYE/AFP

São mulheres, vestem um uniforme militar e querem vingança. Muitas delas assistiram com horror à investida arrasadora do Estado Islâmico em Sinjar, em agosto de 2014, quando o grupo terrorista invadiu aquela zona com o objetivo de matar todos os homens e capturar o máximo de mulheres yazidi possível. O destino das que foram apanhadas? Grande parte foi vendida em mercados de escravas sexuais dos soldados.

As que que conseguiram escapar ao rapto coletivo não esquecem as que foram levadas, muitas delas suas filhas, mães, irmãs e amigas. Aliás, vivem angustiadas pela sombra do lhes poderá estar a acontecer a cada minuto que passa. Tal como todos nós, também elas têm ouvido as notícias das inúmeras mulheres que se continuam a suicidar após meses de brutalidade sexual, que na óptica dos militantes dos Estado Islâmico é uma forma de as purificar. E são precisamente relatos como esses que estão a motivar um número sem fim de mulheres yazidi a alistarem-se no exército curdo, numa força especial apelidada entretanto de Brigada do Sol.

A CNN partilhou um vídeo sobre elas esta semana que vale mesmo muito a pena ver antes de começarmos simplesmente a dizer que mais valia estarem quietas. É verdade que muitas destas mulheres nunca pensaram sequer em experimentar vestir um uniforme militar, quanto mais aprender a mexer numa arma. Eram donas de casa, estudantes, mulheres educadas para serem, acima de tudo, mães de família. Mas o desespero provocado pelo que aconteceu às mulheres que rodeavam e o receio gerado pela possibilidade de poderem ser as próximas a ser raptadas, levou-as a quererem lutar lado a lado com os homens. Para protegerem não só as suas famílias, mas também a sua própria vida e não há nada mais legítimo do isso. Puseram de lado a religião – que condena a violência - e as pressões familiares que ditam que o lugar de uma mulher é em casa. São apoiadas por todos, homens e mulheres. E querem vingança pelo verdadeiro genocídio a que o seu povo foi submetido.

De cantora pop a líder da Sun Brigade

A liderar esta brigada está Xate Shingali, uma antiga cantora pop yazidi. Antes da invasão do Estado Islâmico, esta mulher cantava músicas melosas que, ironicamente, eram quase uma antevisão do que viria a ter de viver: “Os nossos coração foram partidos, fomos separados e hoje vivemos sem esperança”, dizia uma das suas letras mais famosas. Hoje cantarola essas mesmas palavras, mas sem histórias de amor em mente: a única coisa que não lhe sai da cabeça são aqueles que foram mortos ou levados à força. Tem consciência de que não estão preparadas para ir para a linha da frente nos combates, mas acredita que podem ajudar na luta. Aliás, tal como as restantes mulheres, está disposta a tudo para aprender o que for preciso para se tornarem numa mais valia no combate.

“Queremos que percebam que já não somos as mesmas que éramos quando nos atacaram. Vamos destrui-los para que nunca mais possam meter as suas mãos sujas nem na nossa terra, nem em cima das nossas meninas e mulheres”, explicam as combatentes, cuja dureza emocional provocada pelo que passaram no último ano as fez perder o medo do combate. E até da morte. “A chegada do Daesh a Sinjar fez-nos ter de abandonar as nossas casas, os nossos trabalhos, as escolas, ficou tudo para trás. Esta não é uma luta por poder ou dinheiro, é uma questão de sobrevivência”. E quando é a nossa vida a dos que amamos que está em jogo, o impensável realmente acontece. A Sun Brigade é um exemplo disso.

Espreitem em baixo o vídeo da CNN com a história destas mulheres coragem.