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Expresso

O Instagram não gosta de mulheres #curvy

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Recentemente, o Instagram considerou que o termo #curvy roça o obsceno e que as inúmeras imagens partilhadas nesta rede, maioritariamente por utilizadoras cheias de curvas, têm cariz sexual. Por isso baniu a hashtag. No mínimo, podemos considerar a atitude estranha. Mas mais do que isso é perigosa, principalmente numa altura em que o debate e as ações públicas sobre uma imagem corporal mais positiva estão mais acesso do que nunca.

Quando ouvi que tinham banido a hashtag #curvy achei que era mais uma daquelas notícias falsas que correm na net. Depois li o artigo de Lindsay Robertson no site Mashable, onde cita um porta-voz do Instagram que lhe enviou por email a explicação possível para tal atitude. Dizia que embora não tivessem nada contra o termo #curvy, essa etiqueta estava relacionada com conteúdos que violam as regras daquela rede social no que diz respeita a nudez. Curiosamente, o termo #thin não parecem provocar a mesma preocupação. Irónico, não?

Há duas faces na moeda desta censura que são preocupantes. Por um lado, o Instagram parece colocar o termo #curvy no mesmo patamar de obscenidade de catalogadas com palavras como #sex ou #naked, banindo-o da lista de opções. Sendo uma das palavras-chave sobejamente utilizadas, por exemplo, por modelos e bloguers de moda do universo plus size nas suas partilhas de tendências e de mensagens sobre aceitação corporal, não me parece que o grau de nudez exibido nessas fotos seja superior ao das fotos das muitas outras mulheres com menos curvas (chamemos-lhes assim) que partilham também as suas fotos em biquíni, em lingerie, nos ginásios e por aí fora.

A meu ver a questão vai ainda mais longe. Será que um corpo mais volumoso é mais obsceno e incómodo do que um corpo magro? Pelos vistos sim. O Instagram peca por banir esta palavra. Não vejo razões lógicas para que o faça, a não ser discriminação camuflada pela típica desculpa das regras de publicação. Por outro, regra geral as redes sociais banem algumas destas palavras quando recebem muitas notificações de utilizadores que reportam as imagens como abusivas. Muito possivelmente também terá sido este o caso. Assim sendo, volto a deixar a questão: será que aos olhos de quem anda na web, sejam utilizadores ou gestores destas redes, exibir um corpo mais volumoso é mais obsceno e incómodo do que exibir um corpo magro?

Censura no Instagram

Não é a primeira vez que o Instagram alinha na censura às imagens femininas que fogem ao estereótipo da mulher perfeita, perpetuando uma ideia base muito irreal sobre o corpo das mulheres. Ou dando a entender que o funcionamento natural de um corpo feminino deve ser alvo de censura.

Primeiro foi a questão da amamentação, com fotos banidas por conteúdo sexual (enfim, inacreditável...). Depois foi aquele caso da artista paquistanesa que colocou uma foto sua no Instagram, de costas, com uma pequena mancha de menstruação nas calças do pijama para testar as reações. Não só foi censurada por suposto conteúdo sexual explícito (mais uma vez inacreditável), como recebeu um chorrilho de ofensas de inúmeros utilizadores. Até a hashtag com o bonequinho de um pepino foi censurada por ter cariz sexual, mas depois etiquetas como #bitch #boobie #vaginas, #clitoris ou #dildo continuam a poder ser usadas sem problema, embora a probabilidade de acarretaram a publicação de uma imagem que viola as regras do jogo seja bem maior.

Meus senhores, se o problema são conteúdos de conotação sexual, então há algo de muito dúbio nesta vossa seleção de palavras a censurar. Não há nada de obsceno em ser #curvy. Tal como não há em ser #thin. Se querem censurar imagens do corpo feminino, seria no mínimo sensato manterem um bocadinho de coerência.