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Expresso

A vida de saltos altos

A masturbação, as mulheres e o pudor

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Há uns dias cruzei-me com um vídeo que tinha tanto de interessante quanto de descontraído, recentemente publicado pelo site Refinery 29 (ver no fim do texto). Ao longo de quatro minutos,  sete mulheres bem diferentes abordavam abertamente as razões que as levavam a masturbar-se. O tema – podíamos todos dizer – não tem nada de novo. Na verdade, já nem sequer deveria ser preciso considerá-lo um tema de discussão. A masturbação é um ato saudável, normal e que se recomenda, ponto final.

Mas a verdade é que nem toda a gente vêm isto com tais olhos e a masturbação, principalmente a feminina, continua a estar envolta na sombra do pudor: na nossa sociedade há muitas mulheres que nunca o fizeram (ainda há uns anos o grande inquérito Expresso sobre a sexualidade dos portugueses assim o confirmava),há também muitas que o fazem mas que têm vergonha de dizer que sim e outras tantas (e outros tantos) que acham que quem o faz é porque é “uma grande maluca” (o adjetivo poderia ser outro, mas fiquemos por “maluca”).

Durante alguns anos dediquei parte do meu tempo a escrever sobre sexualidade, com um enfoque grande no universo feminino. Os números e os relatos partilhados por muitos dos especialistas com quem falei ao longo desses anos eram claros: as mulheres ainda tinham/têm pudor em explorar o próprio corpo. Os motivos são muitos – religião, contexto socio-cultural, educação, etc – mas nunca me hei-de esquecer de algumas  histórias contadas na primeira pessoa por mulheres com disfunções sexuais graves, que se sentiam “culpadas” ou “enojadas” com a simples ideia de se tocarem. Porquê? Porque durante a infância ouviram repetidamente frases do género “Não mexas aí que é feio” ou “não sejas porca” quando, por exemplo, se coçavam na vagina. Comentários à partida inocentes, mas que marcaram para sempre a sexualidade daquelas mulheres.

Cinco razões para o fazerem regularmente

Como diria uma das participantes deste vídeo tão arejado: “Conhecem aquela expressão ‘não podes amar ninguém se não te amares a ti próprio primeiro’? Com a sexualidade é exatamente a mesma coisa”. Nem tudo neste vídeo me faz sentido e acho que as generallizações até podem ser perigosas. Mas mesmo não sendo propriamente uma especilialista no tema da sexualidade, acho que a frase anterior é uma grande verdade.  

Posto isto – e sabendo que à minha volta há inúmeras mulheres que ainda olham para a palavra masturbação com desconfiança -  decidi desafiar a sexóloga Vânia Beliz a partilhar connosco cinco razões práticas para que o façamos regularmente. Nada melhor do que ouvir/ler quem percebe seriamente do assunto.

Não querendo que A Vida de Saltos Altos entre no domínio da querida Drªa Ruth, espero que se inspirem e que partilhem com as mulheres que vos rodeiam (há tanta gente de férias esta semana, pode ser uma boa altura para aproveitar as maravilhas da descontração). Explorar o próprio corpo não é pecado. Aliás, faz milagres. Vânia Beliz - autora do livro “Ponto Quê?” e que tem dedicado boa parte da sua carreria a ajudar ativamente mulheres de todo o país -  explica de forma bem simples porquê:

1. Caminho do prazer: não há melhor forma de conseguirmos aceder ao orgasmo
Através da masturbação conhecerá melhor o seu corpo, saberá como e onde gosta de ser tocada. A maior parte das mulheres não atingem o orgasmo apenas com a penetração e revelam a necessidade de serem tocadas em algumas zonas como o clítoris. Se não conhecer o caminho do prazer poderá nunca chegar ao seu destino.

2.  Masturbação: potenciadora de bem-estar
O stress e a ansiedade são um resultado dos dias de hoje e a prática sexual ou a masturbação são formas únicas e eficazes de relaxar. Experimente um banho antes de se deitar e toque-se.

3. Toque-se e excite ainda mais o parceiro
Se está numa relação heterosexual, aproveite que uma das coisas que mais excita um homem é poder ser espectador. Desiniba-se, experimente fazê-lo à sua frente, proíba-o de lhe tocar durante e desafie-o a resistir. O resultado promete para ambos.

4. Explore a heteromasturbação
A masturbação não é um comportamento solitário ou que deva ser usado apenas para compensar mau sexo. Em vez de se dedicarem exclusivamene à penetração, aproveitem para se tocar mutuamente e cheguem ao prazer juntos.

5.  Vá pelos seus dedos
 A maior parte das mulheres não usa objetos para se masturbar e vê os dedos como a forma mais eficaz de se tocar. Mas objetos como dildos e vibradores também podem melhorar o seu prazer,  além de que podem e devem também ser usados em casal, sem tabus.