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Expresso

Censura à magreza extrema chegou à publicidade

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A magreza extrema voltou a ser censurada no Reino Unido. Mas desta vez a magreza em causa não era apenas extrema: era “pouco saudável”. Pelo menos foi o que achou a Advertising Standards Authority (ASA), que descreve como irresponsável a utilização de imagens do género no meio publicitário.

Em causa está a campanha da Yves Saint Laurent, publicada na revista Elle. Uma modelo extremamente magra, ao ponto de ter os ossos das costelas e das pernas salientes, é a protagonista da foto que está a gerar polémica. A marca e a publicação feminina não comentam a controvérsia em torno da imagem, mas a autoridade que faz a regulamentação da publicidade britânica concordou com uma crítica inicialmente enviada por um leitor da revista e decidiu banir a imagem, considerando-a uma “irresponsabilidade”. A base desta atitude: o código da publicidade no Reino Unido define que os anúncios têm de ser preparados com um sentido de responsabilidade para com os consumidores e a sociedade.

Ainda na semana falei por aqui sobre distúrbios alimentares e os números assustadores da prevalência da anorexia nervosa no mundo. A magreza extrema das modelos é um tema que tem dado muito que falar nos últimos tempos precisamente por causa da corelação da imagem ideal de beleza que prolifera através deste universo e a prevalência de distúrbios alimentares entre as mulheres que o tentam alcançar, dê por onde der. A distorção do que é bonito é muito fácil e a saúde, aparentemente, nunca é tida na equação. Mas convém não esquecer: mimetismo em grupos de risco (como as adolescentes, bombardeadas a um ritmo alucinante por imagens do género, por exemplo, nas redes sociais) é uma realidade.

Arte ou publicidade?

França avançou mesmo com uma lei que proíbe modelos excessivamente magras, impondo multas avultadas seja a designers, marcas ou agências de modelos que não assegurem os índices de massa corporal mínimos estabelecidos. Sobre este último caso, há quem fale de censura à magreza. De discriminação. Eu diria que o que está em causa não é de todo isso: endeusar publica e comercialmente uma imagem corporal que não se coaduna com um corpo saudável, esse sim é o perigo com que temos de lidar diariamente.

Não há mal nenhum em ser magro. Tal como não há mal nenhum em ser gordo. Desde que, claro, isso não represente um risco para a vida de ninguém. O problema resume-se apenas a esta palavra: saúde. Quando uma marca - com suposta responsabilidade social - apresenta e expõe massivamente como padrão de beleza uma mulher cujas coxas e canelas têm a mesma dimensão e cujos ossos se salientam na pele de forma que pode ser encarada como doente, isso é censurável. Tal como a marca de alta costura que há umas semanas deu que falar por ter usado uma modelo com ar de adolescente numa imagem com conotação sexual.

Há quem chame a estas imagens uma forma de arte e, como todos sabemos, na arte não há limites. Cada um interpreta-a à sua maneira. Mas por mais que tenha como base uma componente artística, a publicidade serve para vender uma mensagem. E esta simplesmente não é a melhor.