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Expresso

Sê fiel ao teu próprio prazer

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Na vida nem tudo tem de ser preto ou branco. Nem sim ou não. Nem homem ou mulher. Há - ou pelo menos deveria haver - espaço para a diversidade e a aceitação.  Para cada um ser o que quiser ser, sem rótulos. E para celebrarmos diariamente esse estado supremo da honestidade: a honestidade connosco próprios. Ontem a capa da Vanity Fair com Caytlin Jenner  foi o grande momento de libertação para aquela mulher, que durante mais 60 anos viveu no corpo de Bruce . O mundo aplaudiu. Tal como também tem vindo a aplaudir a fabulosa recente campanha do gelado Magnum, que aborda de forma exímia a questão do terceiro género. 

A campanha é composta por 4 vídeos: primeiro a publicidade ao gelado cujos grandes protagonistas são James, Blake e Gregory, três pessoas que não se identificam nem como género masculino, nem feminino. Depois, em três vídeos individuais, cada um explica o que as questões de género significam para si, desmistificando as potenciais dúvidas que os espectadores da publicidade ao gelado possam ter.

Mensagens fortes, mas ao mesmo tempo com uma enorme dose de sensibilidade e clareza. Tão simples quanto isto: “Sempre quis estar algures no meio”, explica James no seu vídeo. “Sempre quis ter as duas energias, masculina e feminina. Daí achar que não deveria reduzir-me apenas a uma. Não gosto do mundo como ele é, portanto criei um apenas meu.”

Mais do que uma campanha de gelados, uma grande mensagem

A acompanhar a campanha “Be True to Your Pleasure”, a famosa marca de gelados explica que “acredita que toda a gente deve satisfazer os seus prazeres pessoais, independentemente de quem é ou do que lhe dá prazer”.  

Podíamos olhar para isto como sendo apenas um anúncio de gelados mais ousado, mas o conteúdo intrínseco vai muito mais além. Mais do que o mote “sê fiel ao teu prazer”, a campanha é uma ode à autoaceitação, à espontaneidade e ao prazer pessoal, quer ele faça parte quer não das expectativas criadas pela nossa sociedade. E isso é uma grande mensagem. Uma forma de agitar consciências e mentalidades, ajudar a abrir as portas a um diálogo mais abrangente e, consequentemente (esperemos!), menos discriminatório.

Nada como espreitarem os vídeos em baixo para perceberem melhor esta campanha, que foi apresentada em Cannes. “Porque não sermos duas coisas numa só?”, reflete Blake no seu testemunho. “Sermos honestos e reais, seja lá o que formos, faz-nos sentir que estamos vivos”. E a verdade é que dentro das tais normas estabelecidas pela sociedade anda por aí tanta gente morta por dentro.