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Expresso

As mulheres também gostam de carros

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É praticamente impossível olhar para os carros Aston Martin e não pensar de imediato em James Bond. Durante mais de 100 anos a marca de luxo foi pensada exclusivamente para seres com níveis de testosterona elevados (e para os que precisam de um incentivo para os aumentar). Mas ao que parece isso vai mudar: na semana passada, para grande furor da imprensa especializada, o novo CEO da marca reiterou que a próxima grande aposta daquela que pretende ser “a Hèrmes dos automóveis” vão ser as mulheres. Isso mesmo: as mulheres.

Primeiro os jogos FIFA com a introdução do futebol feminino (aleluia?), agora o universo dos automóveis de luxo a render-se a elas também. Os deuses estão loucos? Esta marca é uma visionária? Nada disso. Depois de em 2014 ter diminuído o seu volume de vendas e de ter enfrentado um escândalo online que se tornou viral (e que deixou muitas senhoras zangadas mundo fora), a opção da Aston Martin parece-me mais do que óbvia.

Primeiro: a quantidade de mulheres com elevado poder económico está a crescer exponencialmente (quer alguns dos saltos rasos mais conservadores gostem, quer não). Segundo: diz o Wall Street Journal que as estatísticas em países onde são vendidos boa parte dos Aston Martin revelam que o número de condutoras tem disparado e que, em alguns casos (como nos EUA), já ultrapassam os homens. O mesmo jornal diz ainda que estudos recentes mostram que 3 em cada 4 mulheres se sentem incompreendidas pelas marcas de carros (I wonder why…). Terceiro: não é que eu não admire a marca, mas a Aston Martin até já vem tarde. No início deste ano, a Bentley fez o mesmo e começou por apostar em produção de bolsas e acessórios de luxo dedicados às mulheres, como forma de as atrair também para os carros. Espertos, hein?

Carros e mulher: os dois objetos de prazer dos homens?

Depois do escândalo online provocado por uma publicidade falsa - posta a circular no ano passado com o logo da Aston Martin, uma mulher semi-nua e o slogan “sabes que não vais ser o primeiro, mas isso importa?” (ver foto) – a marca volta a tentar estreitar laços com o público feminino. E ainda bem que o faz.

Embora não tenha propriamente orçamento para comprar um carro destes, faço parte das muitas (inúmeras) mulheres que adoram conduzir e que retiram imenso prazer ao fazê-lo com uma boa máquina. Sim, nós gostamos de comprar sapatos e malas. Mas sim, também gostamos muito de automóveis (não precisamos é deles para aumentar os níveis hormonais… já os temos em dose qb) e somos mais pragmáticas ao comprá-los. Era pelo menos simpático se grande parte desta indústria - não podemos pôr tudo no mesmo saco, até já há bons exemplos - não desvalorizasse tanto as mulheres não só enquanto compradoras, mas também enquanto profissionais da área (se bem me lembro, a primeira mulher do mundo a liderar uma empresa do setor automóvel foi Mary Barra, em 2013...).

Já agora: também era deveras simpático que parassem de abusar da imagem da mulher, tal qual objeto de prazer do homem equiparado a um carro, para chamar à atenção dos compradores masculinos. A tal imagem da Aston Martin era falsa (a ser verdadeira era um dos maiores tiros no pé na história da publicidade desta indústria e uma ofensa inenarrável), mas o que não faltam por aí são exemplos dantescos que mostram quanto a relação entre o sexo feminino e o setor automóvel tem sido reduzida a muito do que poderíamos denominar por sexismo barato (que sai caro a quem vai na conversa).

A vida de saltos altos também acontece com o pé no acelerador, é uma pena que muitos não o tenham percebido ainda.