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Expresso

As nódoas negras por trás da capa de porcelana

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Uma mulher com um nariz fraturado. Outra com marcas de queimaduras de cigarro no peito. Outra com um olho negro. Todas elas marcas de violência, escondidas por baixo de uma capa de porcelana que se racha e parte em mil bocados para as revelar ao mundo. Esta foi a forma encontrada pela fotógrafa de moda Daryna Barykina para abordar um tema que não pode ser esquecido: a violência contra as mulheres.

O seu interesse por este tema começou há quatro anos, quando Daryna se mudou para os Estados Unidos e se deparou com a “trágica dimensão e impacto” dos casos de violência doméstica naquele país. Embora chocada com os números reais desta realidade, ficou também impressionada com o nível de esforço colocado em sensibilizar e ajudar as vítimas para lidarem e superarem este tipo de abuso. Algo que tantas vezes “ é um tema reprimido, sobre o qual não se fala.”

Daryna decidiu então usar a sua arte para participar no agitar de consciências para este problema e dedicou-se a produzir uma série de fotos intitulada “Magoada por trás da máscara”. A bonita, mas frágil, capa de porcelana usada pela fotógrafa é uma metáfora fortíssima, que em conjunto com as marcas da violência resulta num conjunto de imagens capazes de nos tirar fôlego. Ou, pelo menos, deixar-nos a pensar.

“Enquanto artista tento captar visualmente a essência dos problemas contemporâneos da nossa sociedade”, explica a fotógrafa no seu site pessoal. “Os temas que exploro através das minhas imagens retratam os efeitos, muitas vezes escondidos, mas devastadores da vida moderna. O meu objetivo é criar imagens controversas que provoquem reações.”

Conhecem os números mundiais?
No caso destas imagens é impossível não reagir, mesmo que seja ao ficar com o estômago às voltas. Embora este seja um tema que não é novo, convém não esquecer isto: a violência contra as mulheres é apontada  pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública a nível global. Entre os últimos dados divulgados estima-se que 30% das mulheres de todo o mundo que estiveram ou estão numa relação tenham sido alvo de violência física, sexual ou psicológica por parte do companheiro. E em 38% dos casos de mulheres que foram mortas, o crime foi praticado pelo próprio parceiro.

A OMS alerta ainda para o facto de a larga maioria dos casos de violência contra mulheres nunca chegar a ser denunciado. E para que fique claro que esta não é uma situação exclusiva de países de terceiro mundo, dá como exemplo um estudo levado a cabo na União Europeia, com 42 mulheres residentes nos Estados Membros: apenas 14% das que tinham sido vítimas de casos do género denunciaram a situação às autoridades.

As três fotos que selecionei para vos mostrar hoje são uma forma bastante inquietante de ilustrar estas situações. Mas se quiserem ver o trabalho completo de Daryna Barykina basta clicarem aqui. Vale muito a pena.