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Expresso

Esta menina quer acabar com os casamentos infantis

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Shabana tinha 12 anos quando se casou. A família do marido fez-lhe todo o tipo de abusos e esta, quando não aguentou mais, fugiu para junto dos pais. Estes devolveram-na: uma vez casada, o lugar dela era junto do marido. Histórias como esta fazem parte do dia a dia de milhares de jovens meninas no Paquistão, o terceiro país mais perigoso do mundo para uma mulher viver. A vida de uma mulher pouco vale e a oferta de filhas para casamentos arranjados serve para coisas tão surreais quanto pôr fim a disputas de terrenos.

Hadiqa Bashir tem apenas 14 anos mas está decidida a alterar mentalidades e tentar acabar com os casamentos infantis. Filha de um casal de ativistas, tem dado que falar por se dedicar diariamente à mudança de mentalidades numa sociedade patriarcal onde o conservadorismo é mais que muito. Sabe que não pode mudar o seu país inteiro, mas junto da sua comunidade acredita que pode fazer a diferença.

Não é a primeira adolescente do vale de Swat, no nordeste do Paquistão, a defender os direitos das mulheres. A famosa Malala Yousafzai fez o mesmo precisamente naquela região, acabando por ser alvo de um ataque quase mortal por parte dos talibã. Mas o facto de tal ter acontecido não impede Hadiqa de manter o seu ativismo.

Todos os dias depois da escola dedica-se a visitar as aldeias e vilas perto da sua para espalhar a mensagem contra o casamento forçado. Começa por abordar as mães, tantas vezes coniventes com o destino das filhas. Só depois aborda os pais. Em alguns casos já conseguiu resultados práticos.

As palavras são a sua maior arma nesta luta que, sendo ela uma adolescente,  não promete ser fácil. A BBC acompanhou-a e na semana passada e contou a sua história no vídeo que partilho convosco, em baixo. É a isto que eu chamo viver a vida de saltos altos: com atitude. E Hadiqa, mesmo exposta a inúmeros perigos, mantém a sua firme.