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Expresso

Estas paquistanesas sobreviveram ao ácido sulfúrico

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Mas há outras – muitas – que não resistem a ataques do género. Cometidos na larga maioria das vezes por questões passionais, outras simplesmente por terem nascido mulher. As que sobrevivem fisicamente, regra geral, morrem por dentro e escondem-se toda a vida. Dedicado a todas as mulheres e meninas que passam por esta atrocidade, o fotógrafo da Associated Press, Emilio Morenatti, fez um ensaio fotográfico onde honra a sua capacidade de resiliência. E relembra ao mundo a eterna vulnerabilidade das mulheres no Paquistão.

Sultana tinha apenas cinco anos quando o pai, num assomo de raiva por não ter um filho homem, a desfigurou com ácido sulfúrico durante a noite. Depois do ataque, foi abandonada pelos pais. No caso de Saira o ataque aconteceu aos 15 anos: quando insistiu em continuar a estudar depois do casamento, o marido castigou-a com ácido sulfúrico. Já Irum foi atacada aos 18 anos, no meio da rua, pelo homem com quem rejeitou casar-se. O mesmo aconteceu com Kanwal.

Rejeições a pedidos de casamento ou tentativas de separação por parte das mulheres são duas das maiores causas de ataques com ácido no Paquistão, o terceiro lugar mais perigoso do mundo para uma mulher viver. Crimes que se tornaram tão comuns que já nem chegam a ser notícia de jornal. E que raramente têm resposta por parte da justiça. Aliás, diz a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, muitos destes assassinos "não são punidos, ou recebem sentenças reduzidas, usando como justificativa a 'defesa da honra' da família."

Emilio Morenatti não desiste de dar voz a estas vítimas que vivem em silêncio. E com este ensaio fotográfico espera agitar consciências para a eterna questão da violência doméstica de proporções monstruosas em sociedades altamente patriarcais.

Embora estas fotos já tenham um ano, só agora é que me cruzei com elas e não resisto a partilhá-las convosco. Infelizmente, pouco ou nada mudou desde a altura em que foram feitas. O que me faz voltar  a escrever aquilo que já aqui escrevi há uns meses: é por estas e por outras que ainda faz sentido haver um Dia da Mulher.

Shahnaz Bibi, 35 anos

Shahnaz Bibi, 35 anos

Emilio Morenatti/AP

Saira Liaqat, 26 anos

Saira Liaqat, 26 anos

Emilio Morenatti/AP

Nafaj Sultana, 16 anos

Nafaj Sultana, 16 anos

Emilio Morenatti/AP

Kanwal Kayum, 26 anos

Kanwal Kayum, 26 anos

Emilio Morenatti/AP