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Expresso

Eloise morreu com comprimidos de emagrecimento

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Quem nunca pensou em avançar com uma dieta milagrosa, daquelas que prometem perder vários quilos em poucas semanas, que atire o primeiro papo seco. Entre o mundo dos saltos altos, é mesmo muito comum. E o que não falta por aí são promessas dúbias de resultados fabulosos e imbatíveis em formato de comprimido, mesmo a tempo do verão e do malfadado biquíni. Mas há que ter noção de que milagres destes não existem. E que há perigos inerentes que podem, inclusive, levar à morte.

Foi o que aconteceu a Eloise Aimee Parry, uma inglesa de 21 anos que morreu intoxicada graças a uma dessas dietas infalíveis vendidas em formato de comprimido. Local de venda e compra: a Internet. Certificação do produto: nenhuma. Um dos seus componentes tóxicos: 2,4-dinitrofenol (DNP), mais conhecido como o "viagra" da perda de peso rápida. Mas tal como muitas das pessoas que arriscam comprar este tipo de medicação na web, Eloise não tinha noção do que estava a tomar. E quando decidiu ingerir mais do que um comprimido de uma vez para tentar obter resultados mais rápidos, o destino foi a morte. “Estava a ficar toda queimada por dentro, os médicos já não podiam fazer nada”, contou a sua mãe aos media ingleses.

Isto aconteceu há duas semanas e ontem a Interpol lançou um alerta global relacionado com este tema, classificando os comprimidos de emagrecimento com DNP como “droga ilícita e potencialmente letal”. Mascarados com o tom amarelo da curcuma (planta herbácea conhecida pelos seus efeitos anti-inflamatórios), são considerados uma “ameaça iminente” para os seus consumidores e levaram a uma investigação internacional que visa a detenção de produtores e distribuidores ilegais. “Além de serem produzidos em laboratórios clandestinos sem regulação das condições de higiene e sem qualquer acompanhamento de especialistas, representam um risco claro e crescente de overdose para os consumidores”, frisou a Interpol em comunicado. 

Vale a pena sacrificar a saúde pela suposta beleza ideal?

Esperemos que a investigação colha frutos e que chegue aos responsáveis por tamanha irresponsabilidade (a palavra mais polida que consigo usar sobre isto). Mas ao mesmo tempo há que parar e refletir sobre a génese deste crime: de um lado, a tremenda ansia de emagrecimento de tantas pessoas para atingirem os supostos cânones de beleza dos tempos de hoje. Do outro, uma cambada de oportunistas, que veem nisto uma oportunidade de negócio sem escrúpulos ou problemas de consciência. Mas que, convenhamos, só existem porque há procura. E que não é certamente pouca. Tudo à distância de um clique, tanto para adultos ou como para adolescentes.

Mas valerá a pena sacrificar a saúde (e potencialmente a vida) para ter o corpo que a sociedade nos vende como ideal? A resposta só pode ser não. Portanto na hora em que se sentirem indecisos/as a comprar comprimidos deste género, tenham em conta a quantidade de componentes nefastos que estes misturam. Desde inibidores de apetite a diuréticos, laxantes, hormonas tiroideias ou anti-depressivos, há de tudo nestes cocktails do corpo perfeito. Tudo menos - muito provavelmente - saúde.

Essa consegue-se aceitando que cada corpo é um corpo, e que cada um tem o seu próprio metabolismo. Sono regrado, exercício físico e uma dieta completa (e força de vontade!) continuam a ser parte daquilo que realmente podemos chamar de fórmula milagrosa para emagrecer. Investir no acompanhamento de um nutricionista sai bem mais barato do que pagar com a vida estes esquemas da banha da cobra.