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Expresso

Pobre mas com estilo: lições da blogger do povo

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Tem 14 anos, vive nas Honduras e é uma estrela inusitada das redes sociais. Como? Partilhando com o mundo como é que se pode “ser pobre com estilo”. Johana Paola Mejia – mais conhecida como La Chiki 504 -  fala sobre dicas de moda, de beleza, de gastronomia e das suas experiências enquanto adolescente. Sem papas na língua e com uma avantajada dose de ironia, filma-se, fotografa-se e distribui conselhos, tal qual as mil e uma ego-bloggers que proliferam pela net. A grande diferença é que Johana não vive rodeada de roupas de marca nem de cenários de glamour, bem pelo contrário. Mas não é isso que a impede de ser uma miúda com estilo e uma garra contagiantes.

“Quando somos pobres podemos comer pão branco com manteiga sem problemas, como se fosse lagosta! Toca a comer, meninas!”, é uma das irónicas frases de Paola, num dos seus muitos vídeos filmados com telemóvel. Mas além das maravilhas que a menina encontra na dinâmica de vida de um bairro de lata – onde uma piscina é trocada por um tanque, sem nunca perder o estilo– dá também dicas de beleza, como por exemplo usar um ferro de passar a roupa e uma almofada para esticar o cabelo quando não se tem dinheiro para ir ao cabeleireiro, ou optar por ir à feira ou a lojas de roupa em segunda mão para melhorar o guarda-roupa. O truque, diz ela, é ser-se sempre o mais autêntico possível.

Tudo começou como uma brincadeira para ocupar o tempo durante as férias da Páscoa, mas o seu lema tornou-se viral: seja humilde (#seahumildechiki). Em poucas semanas já tinha mais de 100 mil fãs no Facebook e posts que chegavam a ter mais mil shares, 25 mil likes e 270 mil visualizações, no caso dos vídeos.

Da brincadeira à fama, em menos de um mês

Tal como muito do que se torna viral na Net, não há explicação concreta para tamanho sucesso em tão pouco tempo. Sem sombra de dúvidas, muita gente acha-lhe piada. Por outro lado, “La Chiki” é um género de blogger do povo e esse tipo de relação pode ser empática. Tal como a capacidade de crítica social, envolta num misto de ingenuidade e ironia, que tornam grandiosas as suas pequenas ferroadas ao supérfluo mundo dos ricos.

Depois da primeira entrevista à imprensa hondurenha, Johana acabou por ser contratada por uma empresa de telecomunicações para fazer parte de uma pequena campanha online. Seguiu-se já outro pequeno contrato com uma empresa de venda de pizzas ao domicílio e há já até quem tente roubar o seu perfil “La Chiki 504” para fazer dinheiro. Para contrariar os hackers, Paola acabou por abrir há poucos dias uma fan page no Facebook, onde já vai em mais de 30 mil fãs. E aventurou-se no universo do Twitter, Instagram e Youtube, onde também já começa a fazer furor.

No meio de tanto sucesso, a preocupação dos seus fãs é apenas uma: que a fama não lhe suba à cabeça e que se mantenha fiel ao seu próprio lema. A mim preocupa-me que a sua “brincadeira” não tenha o devido acompanhamento dos pais e a supervisão necessária para que a menina não acabe a cair nos perigosos esquemas que este reino do anonimato também permite.

Esperemos que a súbita fama não lhe roube a bonita capacidade de ver o lado bom da vida mesmo em condições adversas. E que lhe traga sim, acima de tudo, oportunidades de futuro nas Honduras, um país onde mais de 50% da população vive em condições de pobreza extrema. Lá inteligência, perspicácia e capacidade empreendedora não lhe faltam.