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Expresso

Este discurso de Michelle Obama dói

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Michelle Obama no discurso de dia 13 de outubro

Esta é uma verdade que dói. E quem ainda não tomou consciência disto, tem agora uma boa oportunidade para tentar perceber melhor porquê ao ouvir as palavras de Michelle Obama, que acaba de fazer mais uma participação pública que certamente ficará para a história desta campanha presidencial. A realidade é que todos assistimos na primeira fila a um homem poderoso a falar livre e abertamente de um comportamento sexual de predador. E muita gente considera que isso não é mais do que normal, ou nas palavras de Donald Trump, simples conversa de balneário. Esta conivência coletiva - de quem já aceitou que a discriminação e violência de género é algo trivial e menor - consegue ainda doer mais do que assistir a palavras doentes de um homem, que visivelmente não sabe o que é o respeito pelo próximo mas que quer ser o líder de uma gigante nação.

Mas, afinal, o que é que ele fez assim de tão grave que nos doa?, perguntam aqueles que não querem ou não conseguem ver o óbvio. “Comentários vergonhosos sobre os nossos corpos. A falta de respeito às nossas ambições e intelecto. A crença de que pode fazer o que quiser com uma mulher. É cruel, aterrador. E a verdade é que dói”, esclareceu ontem Michelle Obama, frisando que os bons líderes não precisam de diminuir as mulheres para se sentirem poderosos” e que comportamentos do género não podem continuar a ser “varridos para debaixo do tapete”. É preciso dizer mais?

Os homens da minha vida não falam assim sobre as mulheres

Tal como eu ainda ontem escrevia por aqui, neste seu último discurso Michelle Obama considerou que justificar as atitudes de Trump alimentando a ideia de que não passam de um comportamento masculino normal, “não é mais do que um insulto a todos os homens decentes”. E não posso de deixar de parafrasear as restantes palavras da primeira-dama norte-americana: “Os homens da minha vida não falam assim sobre as mulheres e sei que a minha família não é uma exceção”. Não nos tentem fazer acreditar no contrário porque simplesmente não é verdade. Esta não é uma questão de caraterísticas intrínsecas de género, é mesmo uma questão de má formação.

Não, considerar a mulher um objeto sexual não é um comportamento normal dos homens, nem de ninguém. Tal como não é normal achar que o inteleto masculino é superior ao feminino ou que basta ter um cargo de poder para se poder coagir o próximo ou, falando novamente a linguagem de Trump, meter a mão nos genitais de alguém contra a sua vontade. Estes são comportamentos abusadores, de pessoas que não têm a noção de respeito, igualdade e dignidade, todos eles valores base nas normas de conduta da vida em sociedade.

Espreitar este discurso de Michelle Obama é uma boa forma de perceber um bocadinho melhor o que isto quer dizer. Ela fala diretamente sobre Trump, mas as suas palavras são um lembrete poderoso a todos os que vivem de perto com pessoas que cometem este tipo de abusos à “decência humana”. Bom fim de semana!