Siga-nos

Perfil

Expresso

A beleza americana numa cama de violetas

  • 333

DR

Quem não se lembra da mítica cena do filme American Beauty, onde o maravilhoso Kevin Spacey interpreta um homem de meia-idade a fantasiar com a amiga adolescente dos filhos, toda nua, tal qual objeto de desejo e prazer, numa cama repleta de pétalas de rosas? Esta foi uma das imagens que marcou o cinema do fim dos anos 90, num género de ferroada à conturbada sociedade norte-americana e a forma como muitos dos seus seios familiares são pautados por um estilo de vida e convivência que prima, acima de tudo, por manter as aparências.

Praticamente dezasseis anos depois, a mesma imagem volta a dar que falar, mas com outros contornos. Carey Lynne, uma fotógrafa de São Francisco, lançou o projeto American Beauty, onde aproveita para desfazer o estereótipo americana das mulheres loiras, magras e provocantes como ícone de beleza do país, alimentado década após década pelo universo da televisão e do cinema. Trocou a cama de rosas por uma cama de violetas e ao longo de 14 imagens tenta fazer um retrato da diversidade das mulheres do seu país, desde as etnias, às cores de pele e cabelos e as medidas do corpo.

“A maioria do que vemos nos media mais mainstream apresentam-nos sempre as mulheres magras e loiras como representação única da beleza americana., contudo não é assim que maioria das mulheres do nosso país são”, frisou a fotógrafa numa entrevista ao site Huffington Post. “A América é feita de muitos tipos de mulheres, mulheres que estão desejosas de se poderem ver representadas de forma bonita. E porque não haveriam de ter essa vontade?”. Carey Lynne – que trabalha para a agência Shameless, cujo trabalho tem grande enfoque numa imagem mais positiva das mulheres - apostou nessa vontade e reuniu 14 belezas americanas distintas para sessões fotográficas arrojadas, onde todas surgem no auge da sua autoconfiança e sensualidade.

A imagem da miúda objeto do filme foi substituída por imagens de mulheres “reais” que no processo desta sessão fotográfica conseguiram quebrar os seus próprios estigmas e aceitar os seus corpos tal qual como são. Mais uma vez, um projeto que salienta que a beleza é um conceito demasiado lato para estar catalogado ou espartilhado. E por mais que continue ainda a soar a cliché, cada pessoa tem a sua beleza natural.

Este retratos são espelho disso. Deixo em baixo uma montagem com algumas dessas imagens, mas podem ver todo o ensaio fotográfico American Beauty aqui. Esperemos que em breve alguém também se lembre de fazer um trabalho do género sobre a beleza portuguesa. O que não falta por aí são mulheres bonitas, cada uma à sua maneira. Para o bem de todos nós, viva a diversidade.