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Expresso

A pobreza e as crianças

Está difícil aceitarmos que temos em mãos um problema grave, que carece de ser resolvido. Numa altura em que os desafios da natalidade – só marginalmente atenuados pela emigração que ainda nos procura – são centrais para a viabilidade do País, os portugueses continuam a ter poucos filhos.

Parece ser uma decisão, ademais, prudente. A mera existência de crianças num agregado familiar aumenta e de que maneira o risco de pobreza. Quase 3%.

Em 2016, as famílias com dois adultos e três ou mais crianças dependentes, e as famílias com um adulto e pelo menos uma criança dependente, continuavam a ser as mais atingidas pelo risco de pobreza (41,4% e 33,1%, respetivamente).

Embora os números da pobreza comecem a mostrar sinais de recuo, especialmente depois de consideradas as transferências sociais, e estejam também a diminuir o número de pessoas em privação material (18,0%, que compara com 19,5% em 2016) e em privação material severa (6,9%, que compara com 8,4% em 2016) ser criança ainda é um fator de risco para a pobreza.

Do lado dos bons sinais a redução do risco de pobreza entre 2015 e 2016 abrangeu em especial as/os menores de 18 anos, tendo baixado de 22,4% para 20,7% . Por outro lado, repito, ser criança é um fator de risco para a pobreza. Vivem bem com isso? Eu não.

Algo mais tem de ser feito. Provavelmente, a partir da escola. Não se pode resolver tudo, costumamos dizer, mas se vamos resolver alguma coisa que seja isto.