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Expresso

5 mil milhões de razões

Um estudo da Universidade Nova de Lisboa desta semana, calculou que o Serviço Nacional de Saúde poupou à economia, entre absentismo evitado e produtividade aumentada, 5 mil milhões de euros.

Tendo em conta que a despesa em saúde tem rondado os 10 mil milhões de euros, isto significa que, atendendo só a estes dois aspetos, o SNS se paga a si próprio em 50%. Fora o resto.

A maioria destes ganhos beneficia também as empresas a operar em Portugal. E, está na altura, temos de começar a perguntar se elas estão a pagar a sua quota parte dos custos necessários a garantir esta e outras atividades do estado, que contribuem para a sua rentabilidade.

A verdade é que a receita de IRC tem rondado os 4 mil milhões de euros ao ano, não tendo conhecido, ao contrário dos demais impostos aumentos nos últimos anos. Pelo contrário, enquanto o IRS aumentou e muito entre 2011 e 2015, estando atualmente num patamar de 13 mil milhões de euros ano, o IRC diminuiu.

Se pensarmos que, para além da área da saúde, as empresas beneficiam também das atividades do estado nas áreas da Educação, que assegura a qualificação da mão-de-obra, com a existência de boas vias de comunicação, de segurança pública, do funcionamento da justiça, entre tantas outras, temos de nos colocar a questão de saber se não seria justo que contribuíssem mais.

Iniciativas como esta da Universidade Nova trazem dados importantes para que esta possa ser uma conversa tida, com serenidade, a partir dos dados e não de preconceitos fundados em alinhamentos ideológicos.

Uma razão apenas bastaria para o fazer, mas resulta deste estudo que temos – pelo menos – 5 mil milhões de razões só na Saúde.Deverão ser suficientes. Esperemos.