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Expresso

It’s the Economy, stupid

A frase, não exactamente esta, mas a formulação mais curta (The Economy, stupid) foi um dos motes da campanha de Bill Clinton, quando venceu a presidência.

Embora tenha sido nos Estados Unidos que a crise financeira de 2008 eclodiu, a resposta ali dada foi mais decidida e mais eficaz que a Europeia.

De facto, se é verdade que o crescimento americano está longe de ser impressionante, permitiu ao menos recuperar níveis de emprego muito favoráveis.

O papel da União Europeia na gestão da mesma crise na Europa merece críticas, não apenas do ponto de vista da solidariedade europeia mas também do ponto de vista da sustentabilidade de médio-longo prazo da economia europeia.

Percebe-se bem esse feito confrontando o andamento da Economia da Zona Euro, com uma acentuada recessão em 2009, seguida de uma bastante menor entre 2012 e meados de 2014, e o que se passou nos Estados Unidos.

No caso português, como nos demais, há que somar os factores decorrentes da crise internacional aos associados aos problemas próprios da economia de cada Estado, que já estavam em curso há muitos anos.

Do ponto de vista da realidade portuguesa, não se pode deixar de considerar as implicações da crise e do chamado “programa ajustamento económico e financeiro” que ilustram um grau anormal de constrangimento do uso da política orçamental, os perigos das políticas pró-cíclicas e, no geral, as fragilidades da UEM que já muitos referiram amiúde: falta de solidariedade, e a ausência de mecanismos adequados a gerir crises ou choques assimétricos dentro da zona Euro.

No caso português a um primeiro momento de recessão em 2009 – menor que a média da zona Euro, curiosamente – seguiu-se um segundo período, mais prolongado e mais acentuado que o da média europeia, correspondente ao período do chamado Programa de Ajustamento.

O balanço da experiência portuguesa não pode deixar de ser negativo, tendo em conta que os desequilíbrios se agravam e os desvios em relação ao previsto foram muito expressivos.

A crítica mais comummente formulada ao plano de ajustamento prende-se com uma filosofia de “austeridade expansionista” da qual só a primeira metade da equação se concretiza e com a forte natureza pró-cíclica das políticas adoptadas, com efeitos devastadores sobre o emprego e o bem-estar.

Embora haja sinais recentes de alguma recuperação do emprego, a verdade é que as consequências da crise foram aqui mais pesadas.

Isso já se traduziu, em Portugal, numa mudança de políticas e de actores. Resta saber se o mesmo vai acontecer no resto da Europa.

A ser assim, o que ontem era impossível amanhã será possível. Incluindo salvar o Euro. Porque, na política, o velho “It’s the Economy, stupid” pesa. E muito.