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Expresso

Plantar para colher

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Educação. O país que vamos ter depende, mais do que tudo o resto, disso. Parafraseando uma das personagens dessa série de culto que era "The West Wing" é preciso compreender, finalmente, que a educação é a bala de prata.

Merece uma aposta que não pode ser tímida ou "consensual". Tem de ser monumental e tirar-nos um nadinha a respiração. E é por este prisma que qualquer equipa do Ministério da Educação tem de ser avaliada. Bem, até agora. Especialmente pela mão da Secretária de Estado Alexandra Leitão temos visto – finalmente – a afirmação do interesse público sem medo de contrariar os muitos interesses privados, sejam eles os relacionados com as escolas com contrato de associação sem uma boa justificação, sejam agora os existentes no meio editorial dos manuais escolares (e respectivos livros de fichas).

Eu percebo que seja incómodo para quem se habitou a viver dos recursos do Estado e das famílias, ao abrigo de simpáticas rendas ou confortáveis oligopólios com clientes reféns, mas do ponto de vista do interesse público é o que se exige. Quebrar e romper. Em nome do bem comum. Sem medo, sem precipitações, com segurança e firmeza. E é isto que temos visto.

É por aqui, já agora, que se redime a depauperada imagem da política na nossa sociedade. Com protagonistas capazes, competentes, com sentido de serviço público e total transparência nas decisões.

Voltando ao tema: é urgente libertar recursos para os demais investimentos na Educação, deixando de lado o facilitismo de ceder aos lobbies.

Cada euro assim liberto para ser gasto em Educação terá um retorno elevadíssimo comparado com outras aplicações possíveis dos recursos comuns.

Cabe-nos perceber isto e votar em conformidade. O investimento nas fases iniciais do ciclo educativo pode render, para determinados casos, 15 vezes o valor investido (https://www.minneapolisfed.org/publications_papers/studies/earlychild/abc-part2.pdf), ou 15€ por cada 1€, com uma taxa interna de retorno na casa dos 16%/ano, e esse retorno continua elevado noutros graus de ensino (aqui).

A OCDE confirma este entendimento (aqui) assim como o fazem muitos autores (ver, por exemplo, http://www.nber.org/papers/w13780.pdf).

E mesmo que assim não fosse, é da Educação que vem tudo o resto. Não é só o grande potenciador da Economia. É o garante de que a igualdade de oportunidades não é um chavão. É um redistribuidor de riqueza ímpar. E é o primeiro e mais importante instrumento para implementar a meritocracia como método social.

Espero que os sinais vindos da área da Educação possam chegar aos demais sectores do Estado, formando um programa coerente de defesa do interesse público. De preferência, hoje.

Um programa onde a equidade social, a protecção dos mais fracos, os direitos e liberdades fundamentais resgatem o seu protagonismo. Um programa que respeite o nosso contrato social.

Um programa que nos permita ter um País onde a aposta nas pessoas vem primeiro. Mais, um País onde as nossas crianças venham primeiro. Um país onde uma pessoa possa ler uma entrevista sobre manuais escolares e ver nela reflectida uma leitura de sociedade que soe a qualquer coisa decente e dizer: até que enfim, temos políticos e políticas dignos desse nome.