Siga-nos

Perfil

Expresso

Vida na Terra

Kofi Annan perde Global Humanitarian Forum

Alexandre Coutinho

As alterações climáticas são responsáveis, anualmente, pela perda de 300 mil vidas e por prejuízos de 125 mil milhões de dólares (cerca de 92 mil milhões de euros) na economia global. Números que não param de aumentar, de acordo com um estudo sobre os efeitos imediatos do aquecimento global elaborado pelo Global Humanitarian Forum, antes desta organização não governamental sem fins lucrativos e presidida pelo antigo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, ter cessado a sua actividade, no passado mês de Março.

O Global Humanitarian Forum tinha sede em Genebra, na Suíça, onde desenvolveu nos últimos três anos estudos sobre as alterações climáticas que analisavam as suas consequências no imediato, em vez de se limitar a fazer projecções futuras. O Relatório sobre o Impacte Humano (Human Impact Report), lançado em 2009, apontava para um total de 300 milhões de pessoas afectadas por esta mudanças, sob a forma de mal nutrição, doenças e deslocação forçada das suas habitações. 

"As indústrias e as nações responsáveis pelas emissões que provocam as alterações climáticas devem tomar a iniciativa de atacar o problema", afirmou Kofi Annan. Ricos ou pobres, todos os países estão a ser afectados, mas "os segundos estão pior preparados para enfrentá-lo", acrescentava o antigo secretário-geral das Nações Unidas.

"Em Abril, águas mil", diz a sabedoria popular portuguesa. No entanto, os níveis anormais de pluviosidade ocorridos desde o início do ano, na Madeira, no Algarve e no Alentejo, reflectem uma das facetas mais cruéis das alterações climáticas que vão marcar o presente século: ciclos de seca extrema alternados com períodos de chuvas intensas, inundações, deslizamento de terras e até fenómenos curiosos por estas terras como os tornados. 

De acordo com as projecções do estudo do Global Humanitarian Fórum, mais de 500 mil pessoas morrerão anualmente, em 2030, devido aos efeitos do aquecimento global, e mais de 600 milhões serão vítimas deste fenómeno. O referido estudo compilou dados de acordo com uma metodologia desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde, para analisar os efeitos das alterações climáticas. No entanto, não faltaram críticas pelo facto do relatório, alegadamente, ignorar mortes que ocorrem em função do crescimento da população, da propagação de doenças, da pobreza, da degradação ambiental e de fenómenos climáticos naturais.

Kofi Annan alertava para "o sofrimento causado a milhões de pessoas em todo o Mundo" e Barbara Stockings, presidente executiva da Oxfam apelava "à concessão de maiores verbas aos países pobres para a sua necessária adaptação às alterações climáticas". Ironia do destino, foi o próprio Global Humanitarian Forum a sucumbir por escassez de meios, quando o Departamento Federal Suíço para os Negócios Estrangeiros declarou que a instituição estava sobreendividada, no passado dia 31 de Março. 

A organização congregava quatro centenas de personalidades ligadas aos meios políticos, académicos e económicos mundiais, com destaque para dois Prémio Nobel, Amartya Sen e Muhammad Yunus; os antigos Presidentes do Chile e da Irlanda, respectivamente, Ricardo Lagos e Mary Robinson; o antigo presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn e o antigo director executivo do FMI, Michel Camdessus.