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Expresso

Sala de pânico

Varoufakis explica porque ainda não houve acordo

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O ministro das Finanças da Grécia faz esta sexta-feira um balanço de três meses de negociações com os credores oficiais num artigo publicado no "Project Syndicate". Afirma que quer uma "consolidação orçamental que faça sentido", mas rejeita as "armadilhas" da austeridade e da desvalorização interna. O governo grego considera que os atuais desacordos entre as duas partes são ultrapassáveis, mas os credores oficiais têm de mudar dois métodos para que o terreno de convergência se alargue. O artigo sai a tempo de ser lido pelos participantes na reunião de hoje do Eurogrupo (órgão dos ministros das Finanças da zona euro) em Riga, na Letónia.

"O governo grego quer um trajeto de consolidação orçamental que faça sentido e quer reformas que todas as partes acreditem que são importantes. A nossa tarefa é convencer os nossos parceiros que o nosso cometimento é estratégico, e não tático, e que a nossa lógica é sólida. A tarefa deles é abrir mão de uma abordagem que falhou", escreve Yanis Varoufakis, o mediático ministro das Finanças do governo liderado pelo Syriza num artigo de opinião publicado esta sexta-feira no site "Project Syndicate".

Em "Um New Deal para a Grécia", o ministro diz que os gregos estão dispostos a procurar "pontes" com os credores oficiais, mas estes têm de mudar duas posições que têm sido a sua matriz de atuação: o método de traçar a consolidação orçamental a partir de metas a serem alcançadas num ponto determinado do exercício e de subordinar as reformas estruturais à estratégia de desvalorização interna. Estas duas metodologias dos credores oficiais criaram duas "armadilhas", a da austeridade e a das reformas. E essas são duas questões de fundo em que não haverá acordo, pois a manterem-se os dois métodos não só se repetirão os falhanços espetaculares do passado como serão provocados ainda mais danos no já muito stressado tecido social da Grécia, diz Varoufakis.

O ministro garante que o governo até quer racionalizar o sistema de pensões, por exemplo limitando a reforma antecipada, avançar com a privatização parcial de ativos públicos, lidar com o crédito mal parado que está a entupir os circuitos do crédito à economia, instituir uma comissão fiscal totalmente independente, e impulsionar o empreendedorismo.

Ao realizar o balanço dos três meses de negociação com os credores oficiais desde que o novo governo saído das eleições legislativas antecipadas de 25 de janeiro entrou em funções, o ministro diz que se obteve "muita convergência nos passos a dar", pois há consenso em boa parte do diagnóstico. Um diagnóstico que o ministro descreve sem papas na língua: "Um sistema fiscal que tem de ser reformulado. As autoridades que lidam com a receita pública têm de ser libertadas da influência política e das empresas. O sistema de pensões está doente. Os circuitos de crédito à economia estão quebrados. O mercado de trabalho foi devastado pela crise e está profundamente segmentado, com a produtividade estagnada. A administração pública necessita urgentemente de modernização e os recursos públicos têm de ser usados de um modo mais eficiente. Obstáculos esmagadores bloqueiam a formação de novas empresas. A concorrência nos mercados de produto está muito circunscrita. A desigualdade atingiu níveis ultrajantes, obstando a que a sociedade se una atrás de reformas essenciais".