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Sala de pânico

Grécia tem 55% de probabilidade de evitar default

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Mohamed El-Erian escreveu esta segunda-feira na Bloomberg uma coluna de opinião intitulada "11 atos em direção a uma tragédia grega", onde faz os seus vaticínios sobre cenários - um acordo pragmático de última hora e uma rutura entre o governo grego e os credores oficiais estão empatados com 45% - e apela a um derradeiro esforço cooperativo de ambas as partes.

O ex-guru financeiro da PIMCO, atualmente principal conselheiro económico na Allianz, alerta para um "acidente grego" que poderá desembocar proximamente em um default da Grécia na sua dívida externa (nomeadamente em relação às tranches dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional que vencem em maio) e em uma saída posterior da zona euro.

Para Mohamed El-Erian a distribuição de probabilidades em termos de cenários são 45%-10%-45%. No cenário pragmático: 45% num acordo de última hora. No cenário otimista: 10% para um acordo significativo. No cenário pessimista: 45% para um "acidente grego", com incumprimento de dívida externa, corrida aos bancos, imposição de controlo de capitais, horizonte de saída da zona euro.

El-Erian diz que um acordo satisfatório teria de abarcar quatro componentes simultâneas num esforço cooperativo dos dois lados - reformas por parte da Grécia, financiamento imediato por parte dos credores oficiais, redução adicional da dívida pública grega, e atenuação de algumas exigências de austeridade orçamental por parte dos credores oficiais.

O especialista refere que o governo grego não conseguiu mobilizar o apoio dos outros quatro periféricos e que na Europa há a ideia de que a zona euro está agora mais protegida de contágio, nomeadamente graças à atuação do Banco Central Europeu (BCE). Mas El-Erian avisa: "Estar em uma melhor posição relativa não significa necessariamente estar totalmente seguro". "Ninguém pode prever com alguma precisão as implicações regionais de uma potencial Grexit [saída da Grécia do euro na contração em inglês] ou um Graccident [acidente grego levando a rutura de negociações e eventual saída do euro na contração em inglês], uma vez que essas eventualidades nunca foram previstas no projeto da zona do euro", conclui.

Das reuniões realizadas este fim-de-semana em Paris pelo Grupo de Bruxelas (que junta o governo grego com as quatro instituições envolvidas no resgate à Grécia, Comissão Europeia, BCE, Fundo Monetário Internacional e Mecanismo Europeu de Estabilidade, representando os fundos europeus de resgate) saiu a mensagem de que houve "pequenos mas importantes progressos". O grupo de trabalho do euro deverá colocar na quarta-feira os ministros das Finanças da zona euro em teleconferência para discutir o andamento das negociações e preparar a reunião do Eurogrupo (órgão dos ministros das Finanças do euro) em Riga na próxima sexta-feira.

Clima mais sombrio em Washington 

A coluna de opinião de El-Erian surge num  momento em que o tom "notavelmente mais sombrio" (para usar a expressão escolhida pelo ministro das Finanças britânico, George Osborne) sobre um impacto da crise grega na economia da zona euro e mundial dominou as preocupações dos responsáveis nas reuniões de primavera do FMI que terminaram no fim de semana em Washington DC.

O próprio presidente do BCE, Mario Draghi, usou, em Washington DC, a expressão "entrar em águas desconhecidas" para se referir a um eventual pós-default da Grécia, apesar dos restantes periféricos disporem, agora, da proteção de um programa que nunca foi usada - o OMT - e das atuais compras de obrigações soberanas no mercado secundário da dívida pelo BCE que tenciona prolongar tal intervenção até setembro do próximo ano. Recorde-se que o próprio Poul Thomsen, diretor do Departamento Europeu do FMI, apelou a que o Eurogrupo simplificasse e emagrecesse as suas exigências nas negociações. Esta segunda-feira, em entrevista ao jornal alemão "Handelsblatt" reafirmou que é um erro subestimar o impacto de uma saída da Grécia do euro: "Ninguém deverá achar que uma Grexit não terá nenhuns problemas".