Siga-nos

Perfil

Expresso

Sala de pânico

Estagnação secular - uma expressão que subiu para a ribalta

  • 333

A expressão "estagnação secular" tem sido usada no debate académico nos Estados Unidos, mas o Fundo Monetário Internacional (FMI), no "World Economic Outlook"  (WEO) da primavera deste ano, está a projetar o assunto para uma escala mundial. Matt Nesvisky, num resumo publicado esta terça-feira sobre os artigos científicos publicados este ano pelo National Bureau of Economic Research (NBER), norte-americano, chama a atenção para um trabalho do economista e professor Barry Eichengreen (colunista do Expresso) publicado em janeiro (NBER, Working Paper nº 20836) justamente sobre o tema "Secular stagnation: The Long View". O tema prende-se com um horizonte de um período persistente de baixo crescimento do potencial do produto e de crescimento económico fraco, de que o WEO também se faz eco este ano quando  fala dos fundamentos estruturais de uma "nova mediocridade".

Eichengreen encontra quatro dinâmicas que fundamentam essas tendências: crescimento da poupança devido à integração dos mercados emergentes; declínio na taxa de crescimento da população; ausência de investimentos atrativos; e queda no preço relativo dos bens de capital que, segundo o autor, é o fator que provavelmente mais contribui para um excesso de poupança sobre o investimento.

O académico norte-americano aborda, ainda, uma questão central na análise do impacto do que se designou, desde os anos 1990, de "Terceira Revolução Industrial", usando duas dimensões, uma de aplicabilidade (número de sectores ou atividades em que as inovações podem ser aplicadas) e outra de adaptação (a amplitude com que as atividades económicas têm de ser reorganizadas para que os efeitos positivos no produto e na produtividade se possam fazer sentir).

A tese de Eichengreen é que quanto maior adaptação for exigida, mais alta a probabilidade de que o crescimento possa abrandar no curto prazo, na medida em que investimentos caros terão de ser feitos. As próprias tecnologias incumbentes terão de sofrer uma disrupção. Quando um leque amplo de adaptações estruturais forem feitas, a produtividade acelerará, conclui o estudo. "Isto não é uma predição, mas uma sugestão para que se dê atenção ao leque de adaptações que são necessárias em resposta à atual onda de inovações", diz Eichengreen.