Siga-nos

Perfil

Expresso

Sala de pânico

Combustíveis low cost: o tira-teimas da concorrência

  • 333

Diz a teoria económica que, quando há concorrência perfeita, as empresas praticam preços ao nível do seu custo marginal (o custo da última unidade produzida). As empresas não têm qualquer poder de mercado e são obrigadas a cobrar valores idênticos.     

Para os economistas, a medida do poder de mercado de um determinado setor - ou seja, da falta de concorrência - é avaliado pelo chamado mark-up que mede a distância entre o preço praticado e aquele que vigoraria em concorrência perfeita (um referencial teórico com dificuldade de ter paralelo na realidade).

Num mercado a funcionar em concorrência perfeita, onde as empresas são iguais e vivem uma situação de atomicidadade (são todas demasiado pequenas para influenciar o mercado), quando os custos descem, os preços também descem. Se, pelo contrário, as empresas conseguem aumentar as margens, agravando o mark-up, é porque têm poder de mercado. 

É a partir daqui que a introdução dos combustíveis simples pode prestar um enorme serviço para avaliar o grau de concorrência das gasolineiras. Que não se trata de uma mercado de concorrência perfeita já todos sabiam. Nem neste, nem outros setores. Mas, mesmo assim, podem ser retiradas conclusões úteis para uma discussão que se mantém desde que os preços foram liberalizados. 

Muitas gasolineiras estão a vender os combustíveis simples, que são marginalmente mais baratos de produzir, a preços idênticos aos anteriores combustíveis 'normais'. Ou seja, não passaram a descida de custos para os consumidores. E isto é tanto mais fácil de fazer quanto mais distante o seu mercado concreto estiver da concorrência perfeita. 

Por isso, se quiser saber qual é a verdadeiro grau de concorrência na sua gasolineira é só olhar para os preços: quem baixou está em concorrência e quem não baixou tem poder de mercado. 

Mesmo que não sirva para mais nada, a decisão de impor combustíveis simples prestou já um importante serviço ao país.