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Expresso

Sala de pânico

A deflação existe mesmo? Existe e contam-se, pelo menos, 66 casos de deflação persistente

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O debate sobre a deflação na zona euro é um dos mais animados do momento. Há quem ache que é um exagero falar nisso nesta altura e há, pelo contrário, quem a veja como a grande ameaça neste momento. O Banco Central Europeu está preocupado e tem tomado medidas que seriam completamente impensáveis há uns anos.

A verdade é que a deflação existe mesmo - o que não é surpresa para ninguém - e até aconteceu mais vezes do que por vezes se julga. Pelo menos, tendo em conta o levantamento histórico dos economistas Claudio Borio, Magdalena Erdem, Andrew Filardo e Boris Hofmann, do Banco de Pagamentos Internacionais, no artigo "The costs of deflations: a historical perspective" publicado em março e divulgado esta semana no site Vox.   

Mas a primeira grande conclusão é que a Grande Depressão não deve ser um modelo e que há casos bastante diferentes e menos graves.  Entre outras coisas, este artigo conclui que: o caso da Grande Depressão é um outlier e não deve servir de referência para analisar este tipo de situações em termos de queda do PIB ou outras variáveis; a relação entre o crescimento e a deflação é mais fraca do que muitas vezes se pensa; e que o preço dos ativos é um dos elos mais fracos nestas situações. 

O quadro em cima, retirado do artigo, sintetiza os casos analisados num conjunto de 38 economias cobrindo um período de 140 anos: foram identificadas 66 deflações persistentes (a grande maioria entre 1870 e 1947) e duraram, em média, 7,4 anos. O número total de casos de deflação é maior mas, neste número, incluem-se também casos de descidas de preços que não ocorreram de forma persistente.