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Executivos sem gravata

Vêem-se gregos, mas merecem admiração

O ministro das Finanças e o primeiro-ministro grego continuam em estado de sítio: como colocar as contas do país em ordem, sem aumentar as manifestações. As medidas são duras. Pela sua coragem merecem admiração.

Rosália Amorim (www.expresso.pt)

George Papaconstantinou, ministro das Finanças grego, bem como George Papandreou, primeiro ministro grego, merecem admiração pela sua coragem de aplicar medidas duras.

Seria mais fácil para ambos sacudir a água do capote, iludirem-se a eles e ao povo, e deixar que o FMI resolvesse tudo. Mas antes do próprio FMI aterrar em Atenas, na quarta-feira, já as medidas estavam em curso, sem temer manifestações que, claro, vieram a ocorrer.

Parece que a Grécia não teria outra saída. Porém. como tenho dúvidas se outros governos - nomeadamente o português - teria coragem para implementar tais medidas de austeridade - presto-lhes aqui a minha admiração enquanto cidadã de um país que também integra os chamados PIIGS (grupo de países onde está incluído Portugal e outros que estão já a sentir o contágio na avaliação do risco da dívida, como por exemplo Irlanda, Espanha e Itália) e que está a ser contagiado pelo efeito grego.

Soube-se agora que o governo grego conseguiu cortar o défice orçamental em 40%, no primeiro trimestre, e mantém os objectivos traçados no programa de contenção orçamental e que compromete o país em atingir um défice de 8,7% do produto interno bruto (PIB).



O défice orçamental diminuiu de 7,1 mil milhões de euros para 4,3 mil milhões de euros, segundo o ministro das Finanças, George Papaconstantinou. Em comunicado afirmou que "esta queda de 40% foi alcançada mesmo antes das últimas medidas adicionais do Governo para cortar a despesa e aumentar a receita fiscal terem produzido efeito".



O governante reitera o compromisso de baixar o défice orçamental para 8,7% do PIB este ano, dos 12,9% registados no ano passado. Não perder a força de acreditar que é possível é o segredo. Além disso, os Deuses gregos sempre podem dar uma ajudinha.