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Expresso

&conomia à 3ª

Grécia à deriva, sem leme...

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A situação actual da Grécia não é surpresa para muitos. Infelizmente o Governo grego não conseguiu fazer magia. Os Deuses do Olimpo não devem ter votado na Coligação da Esquerda Radical (Synaspismós Rizospastikís Aristerás, abreviado SyRiZa).

O tempo não pára de contar e não está do lado da Grécia. A pressão dos pagamentos de dívida aumenta à medida que o dinheiro para fazer face a esses pagamentos diminui. E sem fontes de rendimento e/ou financiamento alternativas é praticamente impossível cumprir as suas obrigações. Até para o Syriza.

Por isso o passar do tempo faz extremar posições. Dos devedores e dos credores. E posições extremas levam geralmente à personalização dessas posições contraditórias. E a situações de confronto. Neste caso temos Yanis Varoufakis contra Wolfgang Schauble. Ou a Alemanha contra a Grécia.

O dramatismo da situação da Grécia está actualmente reservado à relação difícil entre Varoufakis e Schauble. Nas recentes reuniões do FMI com o Banco Mundial em Washington ficou provado isso mesmo. Toda a atenção dos participantes foi dedicada ao comportamento de cada um e à interacção entre ambos.

Varoufakis e Schauble são muito diferentes. Mas as diferenças de ideologia, estratégia, idade, linguagem corporal, porte físico e referências históricas não chegam para desafiar o seu maior receio: o medo de falhar.

Talvez o medo de falhar que atormenta ambos possa ser utilizado para aproximar as partes já tão extremadas. Um melhor entendimento dos receios da outra parte ajuda qualquer processo negocial. Não há choques geracionais ou contrastes de estilo que impeçam atingir um objectivo comum ou evitar um receio partilhado.

Nesta altura das suas vidas, ambos já deverão conhecer o sabor amargo da derrota. E que evitar uma derrota é quase tão bom como conseguir uma vitória. Varoufakis e Schauble sentem certamente o peso da responsabilidade de salvar o presente, sem pôr em risco o futuro.

Ambos sairão perdedores se as suas negociações falharem. Com consequências não só para a Europa mas também para a economia global. É um fardo demasiado pesado que ninguém quer transportar no seu passado.

No entanto, parece que os governadores dos bancos centrais e os ministros das finanças já se cansaram de falar e de pensar no problema grego. Ou já têm vergonha de ainda andarem nisso. Ou já acham que o incumprimento da Grécia vai ser um quase não-evento, dada a sua elevada probabilidade e o expectável não-contágio aos restantes países do sul da Europa.

Os portugueses podem desde já ficar descansados porque um seu velho conhecido garantiu ontem que o incumprimento da Grécia não implica a sua saída da União Europeia e do Euro.

Para além dos portugueses, também agora os gregos podem respirar de alívio com as palavras de consolo de Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE e ex-governador do Banco de Portugal.

E relembrou que os bancos gregos estão bem e recomendam-se. Como seria de esperar...