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Expresso

&conomia à 3ª

Educação de chumbo cria economia de ouro?

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O Conselho Nacional de Educação (CNE) defendeu recentemente o fim dos chumbos para as crianças. Ou o fim das retenções, como agora pomposamente lhe chamam. Parece que chumbar as crianças sai caro e não é pedagógico.

O Banco de Portugal já tinha alertado no ano passado para a calamidade dos chumbos das crianças e das suas nefastas consequências, considerando que as mesmas não retiram nenhum benefício do velho chumbo.

Numa altura em que a maior parte das crianças é diagnosticada precocemente com défices vários de atenção, hiperactividades típicas, dificuldades de concentração e outros quadros clínicos que relativizam o seu fraco rendimento escolar, parece aceitável discutir os inaceitáveis chumbos.

O caso é tão grave que estas maleitas atacam especialmente nas salas de aula, assumindo características de surto epidemiológico na ausência de consolas portáteis, telemóveis ou tablets, actualmente auxiliares educativos indispensáveis para a concentração.

Sendo a educação e o sucesso escolar determinantes para a formação da sociedade e do indivíduo, é imperativo considerar todas as suas envolventes. Desde a realização pessoal à inclusão social, passando pela contribuição para um futuro melhor e mais próspero. Para si e para todos.

Assim, devemos respeitar as diferenças e garantir que todos têm as mesmas oportunidades de ter sucesso, considerando que as crianças com mais dificuldades devem ter mais apoios. Mesmo que seja mais caro.

Mas não devemos esquecer que devemos premiar o mérito e que nem todos têm as mesmas capacidades de aprendizagem, interesses e motivações. 

O CNE e o Banco de Portugal parecem considerar o chumbo como um castigo. Um castigo de mau aproveitamento semelhante a um castigo de mau comportamento. E os castigos já não se usam...

Mas o chumbo é apenas uma das muitas regras do sistema de ensino em qualquer lugar do mundo. E uma das muitas regras da vida. Da vida real.

Porque as regras de seleção natural existem e exigem esforço para as cumprir. Uma cultura de exigência é indispensável em qualquer sistema educativo, em qualquer sociedade, em qualquer família.

Actualmente o ónus da educação recai sobre a sociedade. E espera-se que a escola compense as fragilidades familiares. Por falta de tempo, jeito ou dedicação das famílias.

E a sociedade não pode virar costas a este desafio do nosso tempo. Deve garantir o acesso à educação a todos com o objetivo claro de ser bem-sucedida na formação das suas crianças.

A medida do sucesso incluirá a minimização dos chumbos combatendo o insucesso escolar e as suas causas, com aulas extra, explicações, apoio familiar e apoios financeiros a famílias necessitadas.

Não se deve acabar com os chumbos administrativamente. E fingir que para o ano é que vão compensar, aprendendo num ano o que deveriam aprender em dois. Nem se deve recear chamar as coisas pelos nomes.

Tal como as retenções eram chumbos há quarenta anos, também os défices de atenção, as hiperactividades e as dificuldades de concentração tinham outro nome nessa altura. E outro tratamento...