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&conomia à 3ª

A economia faz ganhar ou perder eleições?!

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É comum dizer que a economia faz ganhar eleições. Uma economia de sucesso ou uma recuperação económica deveriam fazer ganhar eleições, de facto. Mas nem sempre é assim. Porquê?

As eleições gerais ou legislativas no Reino Unido não costumam interessar muito à maioria das pessoas no resto da Europa. Mas as de 7 de Maio próximo interessam a muito boa gente. Especialmente aos políticos portugueses.

O Ministro das Finanças britãnico George Osborne apresentou recentemente o Orçamento de Estado que, de acordo com o governo, acaba com a austeridade em 2 anos. A oposição britãnica logo apontou o carácter eleitoralista de tais medidas contra a austeridade passada, apesar de sempre as ter defendido.

O governo defende o fim da austeridade como apogeu da forte recuperação económica registada no Reino Unido, que cresceu mais que os restantes membros do G7 nos últimos 5 anos. Claro que a descida dos preços do petróleo ajudou, mas ajudou todos.

Todos sabem, ou quase todos, que as promessas eleitorais antes das eleições tendem a ser diferentes do que realmente acontece depois das eleições.

E todos os partidos políticos enfrentam o mesmo problema, aparentemente de difícil resolução.

É por isso óbvio que os ainda necessários cortes na despesa pública para atingir um défice orçamental de 0% implicarão mais aumentos de impostos. Independentemente de quem vencer as eleições.

O crescimento futuro deverá depender principalmente do consumo privado, como no passado. A fraca capacidade de investimento das empresas deverá ser compensada pela mão de obra barata e flexível, mantendo os níveis actuais de produtividade.

É muito provável que o próximo governo do Reino Unido tenha que dar continuidade ao mesmo tipo de políticas de contenção da despesa pública. Para não dizer austeridade porque está fora de moda. Pelo menos por mais 2 anos.

Apesar de estarem muito próximos nas sondagens, é provável que Ed Miliband, líder da oposição Trabalhista, vença as eleições a David Cameron, actual Primeiro-Ministro da coligação Conservadores e Liberais.

Ed Miliband não é muito excitante como orador, nem o seu estilo pessoal é entusiasmante, de acordo com a maioria dos britãnicos. Mas de todos os ex-Primeiro-Ministros Trabalhistas do Reino Unido desde a 2ª Guerra Mundial, apenas Tony Blair era, e é, um orador exímio.

Como resultado da recuperação económica, redução do desemprego, aumento do consumo interno e do sucesso das politicas económicas do governo britãnico, era de esperar que Ed Miliband estivesse fora de jogo nas próximas eleições.

Mas não só não está como vai à frente nas sondagens, embora com reduzida vantagem, desafiando a máxima que defende que a economia faz ganhar eleições.

A explicação está, mais uma vez e como sempre, nas promessas eleitorais.

Miliband promete políticas populares e simpáticas, nomeadamente de apoio aos pobres e remediados do Reino Unido, que ainda são muitos. Ao mesmo tempo que promete baixar o défice orçamental.

Cameron promete maior crescimento económico e mais 2 anos de austeridade para equilibrar as contas públicas, apesar do enorme estigma criado pelos últimos 5 anos de austeridade do seu governo.

Vamos ver quem vence as eleições e quem cumpre as promessas eleitorais. Talvez desta vez seja diferente... e a economia faça perder as eleições ou alguém cumpra as promessas eleitorais.

 

Nota: quaisquer semelhanças entre as eleições no Reino Unido e em Portugal, bem como entre os respectivos ambientes políticos, são pura ficção. Infelizmente.