Siga-nos

Perfil

Expresso

O estranho caso do Fórum para a Competitividade

A maioria da imprensa portuguesa deu ontem grande destaque à avaliação do Fórum para a Competitividade sobre a decisão do Eurostat de levar o aumento de capital na CGD ao Défice (Défice. Forum para a Competitividade dá razão ao Eurostat).

De onde advém essa súbita deferência às opiniões desta organização marcadamente alinhada com uma determinada agenda ideológica? Não vem, de certeza, do seu registo de qualidade de análise das contas públicas.

Em Junho de 2016 o Fórum previa que “o PIB cresça apenas entre 0,5% e 1%”. Uma previsão com o ponto médio em 0,75%.

Foi, só, praticamente, o dobro (1,4%).

Na frente do défice o Fórum alertava que “há uma clara tentativa de maquilhar as contas e que os verdadeiros valores são muito piores do que os divulgados.”.

Os resultados, como se sabe, foram um défice de 2% no final do ano, um pouco melhor do que os divulgados e do que previa o próprio Orçamento.

Na avaliação ao OE para 2017 o Fórum previa uma catástrofe em vários actos. Desde logo “O cenário macroeconómico para 2017, sendo relativamente realista, tem um problema de base, que é o crescimento previsto para 2016, em 1,2%.”. Foi, como já vimos, melhor do que isso.

Na frente do défice continuava a afirmação de que “A almejada diminuição do défice orçamental, de 2,4% para 1,6% do PIB em 2017, começa por sofrer um efeito base, por ser difícil de acreditar que o valor para 2016 venha a ser cumprido, talvez em termos contabilísticos mas não substanciais. É possível que o que ficar escondido venha a ser revelado no próximo ano, colocando assim duplamente aquela meta em risco.”.

O défice foi cumprido e não houve nenhuma confirmação de manipulação de contas ou valores escondidos – uma acusação particularmente grave, repetida sem provas e sem consequências.

Em Março de 2017 o Fórum afirmava que “Quanto ao PIB no ano de 2017, o Fórum não tem ainda uma estimativa fechada. No entanto(...) a actividade se continuará a expandir, devendo crescer entre 1.7% e 2%.”.

O crescimento em 2017 foi de 2,7%.

O Fórum para a Competitividade nasce sob a égide de Mira Amaral, nos idos de 90, e é uma associação com uma agenda ideológica, onde pontuam, por exemplo, Teodora Cardoso (a sério), e que tem uma inexplicável deferência da imprensa.

Somos, neste País, pouco dados ao escrutínio. Só isso explica que, sazonalmente, lá venham publicadas as opiniões desta Associação, como se delas se devesse tomar particular nota. Baseados no histórico, é capaz de ser melhor relativizar um pouco.

O Fórum dá razão ao Eurostat? Eu, se fosse ao Eurostat, ia rever a minha decisão. Eles falham mais do que acertam e ainda não foi desta que acertaram.