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Expresso

Esta Academia não é para políticos

A Academia está ao rubro com a novidade confirmada na semana passada. Um novo Professor Catedrático (Convidado) arrisca-se a ser a contratação do ano numa já conhecida universidade pública pela sua política agressiva de contratações no sector político nacional.

Rapidamente, as infelizes confusões geradas pela triste ignorância sobre o conceito académico de Professor Catedrático Convidado (professor convidado por decisão dos órgãos da universidade, com equiparação e salário de catedrático), em oposição ao Professor Catedrático de carreira, levaram muito boa gente de esquerda a destilar ódio sobre o seu inimigo de estimação preferido, a pretexto da falta de capacidade académica do novo Professor.

A superioridade moral da elite de esquerda reinante, logo se aprontou a desqualificar a iniciativa e experiência privadas na educação, presumindo inaceitável e até impossível um qualquer licenciado numa qualquer universidade privada poder alguma vez aspirar a ser professor convidado de uma qualquer universidade pública, sem percorrer todos os seus corredores da academia e respectivos exuberantes graus académicos de carreira.

O que nem deveria ser notícia em qualquer país europeu, por ser comum e geralmente aceite, criou uma onda de indignação nas populosas redes sociais de Portugal por se tratar de um ex-Primeiro Ministro que alguns prefeririam ver no exílio, como nos bons velhos tempos.

Mas afinal parece que Pedro Passos Coelho, anterior Primeiro Ministro e ex-líder do PSD, vai mesmo dar aulas de Administração Pública no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), tendo até já sido professor no Instituto Superior de Ciências Educativas, antes de chegar ao Governo em 2011.

É de referir que o ISCSP já conta com a experiência de outras figuras políticas relevantes no seu corpo docente, como o ex-líder do PS Antonio José Seguro, o antigo presidente do Tribunal de Contas Guilherme d'Oliveira Martins, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado, o ex-ministro da Administração Interna Rui Pereira e o ex-secretário de Estado da Cultura António de Sousa Lara.

Assim, não parece que um ex-Primeiro Ministro que geriu a aplicação do terceiro programa de resgate do FMI a Portugal, desta vez com a Troika, e que venceu duas eleições legislativas, não tenha algo relevante a partilhar e a ensinar na área de Administração Pública aos alunos de mestrado e doutoramento duma qualquer universidade que ensine ciências sociais e políticas. De facto, só é pena não ser de esquerda...