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Expresso

Millennials: um novo sentido da vida?

A geração Millennials nasceu entre 1980 e 2000 e assume já um papel determinante na economia mundial, representando a maior geração na população actual dos EUA. Em 2020 deverão representar mais de 50% do mercado de trabalho global.

No entanto, é a anterior geração de Baby Boomers que continua a fazer crescer a economia através dos tradicionais padrões de consumo adaptados ao seu ciclo de vida, pelo que urge compreender e antecipar os efeitos das alterações demográficas e comportamentais desta nova geração na economia mundial.

Vários estudos recentes, como o da consultora americana Department26, reforçam a ideia de disrupção geracional em relação aos valores do trabalho e do dinheiro na sociedade atual. O facto de os Millennials valorizarem mais o seu bem estar do que a acumulação de riqueza representa uma alteração dramática das prioridades e das expectativas da sociedade no futuro, que poderão pôr em causa os próprios fundamentos do capitalismo baseado no consumo, tal como o conhecemos.

No Reino Unido já existem mais jovens que desejam trabalhar menos horas do que aqueles que querem trabalhar mais. A importância do equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida é já superior ao valor do dinheiro.

O forte conhecimento das novas tecnologias e do mundo digital criaram uma expectativa de acesso instantâneo à informação, o que tem influenciado o padrão de consumo de bens e serviços através de plataformas de comércio eletrónico de baixo custo, com forte impacto nos serviços financeiros em que toda a economia actual ainda está baseada.

Da mesma forma, o desenvolvimento tecnológico e a globalização permitiram à nova geração concentrar as suas necessidades de organização, entretenimento, comunicações e socialização num cada vez mais acessível tablet ou telefone, sendo hoje possível viver com alguma qualidade de vida apesar dos menores rendimentos.

Uma geração que quando gasta o pouco dinheiro que consegue poupar, prefere fazê-lo em experiências de lifestyle como restaurantes e viagens, em vez de bens de consumo, prefere igualmente produtos baratos de marcas populares a produtos de marca de luxo que outrora significavam status social. Da mesma forma, a economia de partilha de carros e habitação sobrepõe-se à tradicional propriedade, evitando as maiores despesas típicas da geração anterior.

Assim, o consumismo que tem conduzido o crescimento mundial ao longo de gerações deverá diminuir nas próximas décadas, criando um novo paradigma económico de prosperidade sem crescimento.

A busca de riqueza e poder poderá finalmente dar origem a um novo sentido da vida: viver mais e melhor com menos. Um verdadeiro elixir da juventude...