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Expresso

Aumento das taxas de juro: e se fosse consigo?

O Banco de Inglaterra aumentou recentemente a sua taxa de juro de referência para 0,5%, do seu valor mínimo histórico de 0,25% estabelecido no ano passado após o referendo sobre o Brexit. Este foi o primeiro aumento da taxa de juro nos últimos 10 anos em Inglaterra, constituindo um marco importante no ciclo económico pós-crise financeira mundial.

O governador canadiano do Banco de Inglaterra, Mark Carney, já prometia subir a taxa de juro desde a sua eleição há 4 anos, tendo visto a sua reputação posta em causa com o passar do tempo. Mas agora que finalmente cumpriu a promessa, está a ser alvo de algumas críticas pela escolha do timing.

Tal como o Banco Central Europeu, o mandato do Banco de Inglaterra baseia-se na estabilidade de preços como forma de promover o crescimento económico e o emprego. O objetivo da taxa de inflação é igualmente de 2%.

Sendo a taxa de inflação de 3% registada em setembro o principal motivo de pressão para subir a taxa de juro, aliada à menor taxa de desemprego nos últimos 42 anos em 4,3%, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer há 19 trimestres consecutivos e a uma taxa superior à estimada após o referendo, a subida da taxa de juro pode parecer aconselhável. E até inevitável.

No entanto, o crescimento do PIB entrou numa fase de abrandamento e a confiança dos consumidores e das empresas está ainda muito afetada pela incerteza em redor das condições de saída do Reino Unido da União Europeia.

Até mesmo a taxa de inflação de 3% pode induzir em erro, pois é fortemente influenciada pela importação de inflação devido ao enfraquecimento da libra provocado pelo Brexit, não sendo assim apenas um saudável sinal de sobreaquecimento da economia.

A estagnação salarial, com a consequente perda de poder de compra, e os reduzidos orçamentos familiares são uma realidade no Reino Unido, que não é só Londres, pelo que a subida da taxa de juro de referência irá dificultar ainda mais a vida das famílias endividadas.

Por tudo isto, Carney já foi dizendo que não são expectáveis mais subidas no curto prazo, o que impediu a esperada valorização da libra com tão reduzida subida de 0,25% na taxa de juro, que já tinha sido incorporada pelos mercados financeiros com tanta expectativa criada pelo governador. Agora os mercados estimam um novo aumento já em agosto de 2018.

Para muitos jovens profissionais com cerca de 30 anos, esta poderá ser a primeira vez na sua vida económica ativa que irão sentir os efeitos da subida das taxas de juro. Este pode ser o princípio do fim do atual modo de vida com taxas de juro mínimas. E não será agradável…