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Expresso

Níveis de alerta elevados, mas à portuguesa

Na mesma altura em que quase todos os países europeus vivem com níveis elevados de alerta devido às ameaças constantes e aos recentes ataques terroristas, Portugal continua a achar que o mal só acontece aos outros e a proteger instalações militares e depósitos de armas de guerra com rondas do seu parco pessoal e com velhas redes de galinheiro.

É triste ficar a saber desta forma que muita gente com responsabilidade de Estado acha normal ter circuitos de vídeo-vigilância e outros sistemas de alarme, nomeadamente de pressão, avariados há 2 anos em instalações militares de alta segurança...

Já não bastavam os imigrantes que facilmente conseguem chegar à pista do aeroporto de Lisboa com uma facilidade inaudita, sem ninguém perceber como, e a praga de drones perto do aeroporto, que ninguém aparentemente consegue controlar. Mais uma vez só podemos esperar que ninguém se lembre de usar algum com mas intenções... e confiar na sorte.

Afinal o amadorismo das instituições públicas que constituem o Estado, cujo primordial objectivo é defender e proteger o cidadão, não se reflecte apenas na incompetência de gerir situações de crise como se viu na vergonha de Pedrogão Grande.

Ficamos agora a saber que já nem instalações militares conseguimos proteger, mesmo com militares lá dentro. Mas desta vez os políticos não terão apenas que adiar as respostas e mostrar que também estão muito sensibilizados com o que aconteceu, como fazem anualmente no mercado interno com os incêndios.

Agora terão que explicar e fazer a triste figura que lhes compete junto dos parceiros internacionais, que tendem a ser um pouco mais exigentes que o país de brandos costumes que se vê a arder todos os anos e nada faz nem exige que façam.

Pois em pleno 4 de Julho poderemos imaginar quão reconfortante deverá ser para os nossos aliados americanos saberem que andam lança morteiros e granadas à solta pela Europa ou por Portugal, que nem consegue tomar conta do seu material de guerra...

Afinal ser campeão europeu de futebol e vencer o festival da canção ainda não chega para conseguirmos proteger os nossos cidadãos, nem mesmo os militares que qualquer dia correm o risco de serem roubados dos quartéis.

Apesar do afastamento cada vez maior entre cidadãos e o Estado, este não é apenas mais um caso de vergonha alheia. É a vergonha de todos nós. Talvez por isso esteja na hora de começar a falar em competência e responsabilidade. Antes que o país arda de vez... por falta de exigência.