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Expresso

Turismo sustentável ou pura sorte?

Já todos perceberam que é o turismo a principal razão para a mudança aparente de tão importante paradigma de crescimento económico em Portugal, pelo que importa recordar as principais bases de qualquer sucesso económico: a sustentabilidade e a recorrência da procura.

A sustentabilidade do turismo é assim indispensável para o futuro da economia do país, tendo ja provado por todo o mundo que pode ser o motor do crescimento de economias descapitalizadas ou até pouco desenvolvidas.

Tendo Portugal já conseguido reunir as condições básicas para o sucesso, com produto atractivo e infraestruturas de apoio de qualidade, verificamos que a fase de atração de clientes está actualmente a atingir o ponto de massa crítica, pelo que urge planear e implementar as medidas necessárias para a sustentabilidade dessa procura.

A reduzida dimensão do país não comporta um produto de baixo preço e de consumo de massa, pelo que a qualidade e variedade serão determinantes para atrair turistas com poder de compra. E com hábitos de compra recorrente, que volte e que faça marketing da sua experiência e do produto português.

O facto de Portugal estar actualmente na moda está em grande parte relacionado com a instabilidade gerada em destinos concorrentes no segmento “Sol & Praia” como Tunisia, Egipto e Turquia, desviando parte dos típicos turistas desses destinos para o nosso mercado.

Apesar deste efeito, que convém não esquecer será temporário, a competição é feroz e por isso e necessário diferenciar a oferta com novos segmentos de mercado e com novos destinos em Portugal.

Actualmente já contamos com o golfe para combater a sazonalidade no Algarve, mas interessa reforçar o turismo religioso, o turismo histórico nos castelos e conventos, o agro-turismo nas vinhas, em parques naturais, nas planícies e outras paisagens típicas portuguesas.

O marketing de venda de Portugal deverá apoiar a distribuição internacional destes novos segmentos e destinos dentro do país, e até mesmo contribuir para a sua estruturação junto dos privados, através da partilha de conhecimento da oferta semelhante dos países concorrentes do Mediterrâneo.

Pois como já se percebeu pelas críticas dos residentes em Lisboa e Porto, a exploração de novos destinos em Portugal que ofereçam os segmentos referidos é de extrema importância para aumentar a quantidade de turistas, para além da qualidade.

Se assim não for, lá passaremos mais umas décadas a lamentar o triste fado português, quando Portugal passar de moda… após a euforia momentânea que a sorte sempre provoca em quem acredita no destino.