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Expresso

Portugal: o medicamento da moda

Alguns deputados que aprovaram um voto de saudação elogiando a candidatura de Lisboa à Agência Europeia do Medicamento, mudam de opinião no mês seguinte com críticas acérrimas, quando descobrem que afinal a escolha era tudo menos unânime.

Esta volatilidade de opiniões formadas e deformadas pelos deputados representantes da nação, ilustra bem a tão nacional característica dos “oito ou oitenta” na sociedade portuguesa, onde se passou do inferno da Troika para o paraíso actual em apenas ano e meio.

A infelicidade extrema imposta pela austeridade do fado lusitano de sermos pobres para sempre, veio dar lugar à euforia optimista de sermos os melhores da Europa e quiçá do mundo, com todos os problemas resolvidos ou pelos menos esquecidos, que parece ser equivalente.

Para os poucos cépticos restantes, que ainda lêem esta coluna de opinião, interessa recordar que não existe nenhum país europeu com mais do que duas agências europeias, e que por isso Portugal seria o primeiro, o que aumenta o nível competitivo da escolha.

Considerando que a capital de um país deveria ser, pelo menos em princípio, a sua cidade mais desenvolvida, com melhores infra-estruturas e melhor qualidade de vida, parece à partida difícil considerar outras alternativas para este tipo de competição europeia.

Mas no caso de Portugal, o Porto consegue competir com Lisboa em várias componentes de escolha no processo, pelo que interessa pelo menos discutir a sua comparação sem preconceitos, com o objectivo de apresentar a melhor candidatura possível.

Mesmo tentando ultrapassar todos os complexos de inferioridade entranhados na sociedade portuguesa, é difícil imaginar Lisboa ou Porto como cidades mais indicadas para suceder a Londres e melhor posicionadas que Paris, Munique, Estocolmo ou Copenhaga, a não ser que sejam os próprios funcionários a escolher...

No entanto, convém não esquecer que este tipo de escolha é muitas vezes política e que o Sul da Europa pode ser beneficiado por critérios de impacto de desenvolvimento económico, pois 900 funcionários e 600 crianças residentes, mais 36 mil visitantes com permanência média de 4 dias na cidade e 30 mil dormidas, de acordo com dados da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, terão impacto significativo em qualquer cidade média ou pequena em termos europeus.

E como é de política que se trata, a própria escolha da cidade a concurso num pequeno país em pré-campanha eleitoral autárquica, aquece os ânimos de qualquer um, ainda que seja ao retardador como aconteceu a alguns deputados distraídos.

Compare-se então Lisboa e Porto seriamente e que ganhe a melhor, aproveitando a actual onda de sucesso de Portugal estar na moda.