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Expresso

Geringonça à grande e à francesa

Finalmente uma verdadeira boa notícia. Afinal o mundo ainda não está louco e continuam a existir eleitores que não se deixam levar pelo populismo fácil dos extremos do espectro político. Mesmo quando os extremos se tocam e partilham o populismo, seja de esquerda ou de direita, como se viu em França.

É certo que a eleição em duas voltas ajuda a prevenir ou evitar precipitações, permitindo uma segunda oportunidade aos eleitores de corrigirem o tiro, vendo a realidade de uma nova perspectiva... Tivessem os britânicos tido essa segunda oportunidade no caso do referendo sobre o Brexit e tudo poderia ter sido diferente.

A luta entre gerações patente na votação do referendo sobre o Brexit, em que os mais velhos votaram pela saída e os mais novos votaram pela permanência, não se terá verificado nas presidenciais francesas. O mais jovem Presidente francês foi eleito por mais de 66% dos eleitores.

O destino da segunda maior economia da união europeia está assim nas mãos de um jovem de 39 anos que teve uma vida profissional real, não sendo por isso um político de carreira, com ideias fortes e claras para a França e para a Europa. E que não se acovardou de defendê-las frente à temida Le Pen no excelente debate televisivo que pôs a nu as fragilidades da argumentação dos populistas e da sua forma de fazer política barata.

Mas ainda nem tudo está ganho. Sendo um outsider do sistema político Francês, embora já tenha sido ministro da Economia de Hollande, não tem o apoio de nenhum grande partido que permita transferir os votos das presidenciais para as legislativas.

Esperemos assim que o recém criado partido “La republique en marche” consiga obter a representatividade necessária na assembleia para permitir a Macron implementar as suas políticas, para bem da França e para bem da Europa. Caso assim não seja, lá terá que criar mais uma geringonça à francesa.

É por tudo isto surpreendente que por cá os partidos de extrema esquerda que suportam o governo português não tenham apoiado Macron e sejam efectivamente contra a sua eleição como presidente de França...

Não sendo clara a razão para tal ímpeto democrático, poderá estar relacionada com os mesmos motivos dos protestos em França ocorridos já ontem, logo no dia seguinte à sua eleição.

Mas pelo menos ainda têm liberdade para poderem protestar e manifestar-se... Sendo a alternativa Le Pen, não é claro que teriam a mesma sorte.