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Expresso

O BCE não salva apenas os países do Sul…

As boas notícias da revisão em baixa do menor défice orçamental em democracia quase fazem esquecer a mais elevada dívida pública de sempre em Portugal. Tudo graças à impagável ajuda do BCE, que em bom tempo veio ao nosso auxílio.

Da Europa continuam a vir boas notícias. A taxa de inflação em Março na zona Euro desceu para 1,7%, dos 2% registados em Fevereiro. Mas mais importante que esta descida média terá sido a descida registada na Alemanha para 1,6%, dos 2,2% verificados em Fevereiro quando atingiu o valor mais alto desde Agosto de 2012.

Com esta descida da taxa de inflação para níveis inferiores aos 2% desejados pelo banco central, a Alemanha poderá diminuir a pressão que tem vindo a intensificar junto do BCE para que este proceda à normalização das políticas monetárias.

O BCE irá assim conseguir manter o seu reiterado objetivo de manter o Euro fraco e fomentar o crescimento económico na Europa, afastando o aumento das taxas de juro e a desaceleração na compra de ativos, pelo menos nos próximos 6 meses marcados pelas eleições em França e na Alemanha.

Este apoio político do BCE à manutenção das forças moderadas do centro político no poder das principais economias europeias, visa evitar mais instabilidade política provocada por movimentos populistas que poderia pôr em causa o crescimento da Europa ou até mesmo a moeda única.

Depois de verificada a ausência de estratégia dos líderes europeus para a Europa, na celebração dos 60 anos da assinatura do Tratado de Roma ocorrida em 25 de Março, a necessidade do apoio político do BCE à União Europeia, contrariando a vontade de vários países europeus que há muito se opõem ao prosseguimento da sua política monetária, ficou clara e evidente.

Talvez assim a Europa consiga ultrapassar a moda do populismo sem nela participar, aproveitando o otimismo criado pela manutenção das principais forças políticas verificada nas eleições da Holanda, já ocorridas este ano.

Poderemos até já contar com uma maior abertura do Reino Unido para flexibilizar a implementação do Brexit, facilitando assim o seu período de transição e readaptação, bem como dos restantes membros da União Europeia, à nova realidade política e económica.

O resultado das eleições em França será assim o fator decisivo para o futuro do projeto europeu. Ultrapassado este obstáculo que todos esperam não seja histórico, as eleições na Alemanha já serão apenas um micro evento político, pois a escolha entre Merkel e Schulz não assusta o BCE.

Mas deveria assustar Portugal, porque a partir daí o BCE poderá iniciar a normalização da politica monetária.