Siga-nos

Perfil

Expresso

Lucky Star do NovoBanco

Ninguém disse que era fácil recapitalizar um banco intervencionado pelo mecanismo de resolução da união bancária europeia. Especialmente num pequeno país recém intervencionado pela Troika. Principalmente quando essa resolução é decidida e efectuada num fim de semana, sem nunca ter sido testada antes.

A cláusula de excepção do risco sistémico continua no entanto a ser usada pelos governos europeus para proteger alguns credores dos bancos intervencionados, mesmo no actual figurino de bail-in, apesar de toda a retórica do Mecanismo Europeu de Estabilidade contra a utilização do bail-out, tipicamente com oneração dos contribuintes, bem conhecida dos portugueses.

O caso recente do maior banco italiano e mais antigo banco do mundo, o Banca Monte dei Paschi di Siena, é disto um bom exemplo. No final de 2016, este banco italiano qualificou-se para resolução ao abrigo do Mecanismo Único de Resolução.

Com cerca de 45% do seu activo bruto em non-performing loans, o estado italiano decidiu efectuar a recapitalização pública deste banco para proteger os detentores particulares de dívida subordinada, numa mais que aparente violação das regras de ajuda do Estado da União Europeia.

A Comissão Europeia e o Banco Central Europeu aprovaram assim uma recapitalização de 8,8 mil milhões de euros com um bail-in de credores muito limitado, num montante de cerca de 600 milhões de euros, apenas.

No caso da resolução do BES tudo correu mal. Desde a solução encontrada à sua implementação, passando pela tardia identificação da sua necessidade por parte do regulador e pelo desinteresse demonstrado pelo governo em funções, as tentativas falhadas de venda do banco revelaram a falta de estratégia técnica e política em todo o processo.

A necessidade de vender um activo gera pressão para a sua venda e diminui a capacidade negocial do vendedor e o valor intrínseco do activo. Principalmente quando existe um prazo para a sua venda. Especialmente se esse prazo for curto e do conhecimento do mercado.

Um banco a operar num pequeno mercado maduro e competitivo perde muito valor e muito rapidamente se for visto pelo mercado, clientes e depositantes como um operador financeiro a prazo.

A venda do NovoBanco à Lone Star foi o melhor que podia acontecer ao banco, aos seus clientes, aos depositantes, aos trabalhadores e aos contribuintes. É claro que também será bom negócio para a Lone Star.

Pois para um negócio ser bom, ambas a partes tem que ter algo a ganhar. E ainda bem, porque senão seria um mau negócio para todos. Especialmente para os portugueses.