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Expresso

Economia alemã contra o resto da europa ou do mundo?

Na senda da musculada política externa da nova administração Trump, que consiste em culpar tudo e todos pelos seus próprios problemas, o recém-empossado responsável pelas políticas comerciais dos EUA criticou recentemente a Alemanha por alegadamente suportar uma taxa de câmbio dólar-euro que permite a Berlim “explorar” os EUA e gerar grandes excedentes comerciais, usando um subavaliado Euro para obter uma injusta vantagem competitiva para as suas exportações.

Curiosamente, o ministro das finanças alemão e o presidente do seu banco central parecem estar de acordo, ao queixarem-se da actual política monetária do BCE e dos seus efeitos na subida da taxa de inflação alemã. Talvez já por razoes de política interna em ano de eleições na Alemanha, numa tentativa de aproximação aos eurocéticos, através do afastamento em relação ao BCE e suas políticas monetárias.

Mas de facto, a união económica e monetária na Europa continua a distorcer as taxas de juro e as taxas de câmbio que resultam da aplicação de políticas comuns a países tao diferenciados económica e financeiramente, usufruindo assim a Alemanha do efeito dos desequilíbrios dos países do sul da Europa.

Desta forma, as taxas de juro que no início da união económica e monetária em 1999 eram altas para a Alemanha, são agora demasiado baixas para a sua real situação económica e financeira, como referiu recentemente Wolfgang Schauble. Tal como o valor da sua moeda, o subavaliado Euro que não reflete os enormes aumentos de competitividade alemã desde o seu lançamento, que têm sido compensados pela fraca competitividade de países bem nossos conhecidos, como Portugal, Grécia e Itália.

No entanto, como o BCE prefere proteger os países mais fracos e os seus frágeis sistemas financeiros em detrimento da normalização das taxas de juro, a taxa de inflação da Alemanha continuará a ser mais elevada que o resto da Europa e a sua competitividade diminuirá. Não será claramente suficiente para reequilibrar a união económica e monetária a várias velocidades, mas irá certamente servir para dividir os alemães em ano de eleições entre os que querem mais ou menos Europa.

Nunca é tarde para recordar que já em 1978, o primeiro-ministro britânico Jim Callaghan dizia ao chanceler alemão Helmut Schmidt que o planeado Sistema Monetário Europeu iria desvalorizar o marco alemão e valorizar a libra, pelo que iria favorecer a Alemanha e não o Reino Unido.

Esta terá sido uma das principais razões para o Reino Unido não ter aderido ao mecanismo de conversão do futuro Euro. E agora todos percebem porquê…